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Em diferença I

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Pode bem ser que todos os nossos meios sejam bem limitados e as nossas possibilidades restringidas quando se trata de pressionar o governo. Mas é isto razão para fazer nada? O desespero não é a resposta. Nem a resignação. A resignação apenas leva à indiferença, que não é pecado mas sim um castigo.

Emergência

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Chega um momento em que tens que te levantar e gritar:

“Isto sou eu, porra! Pareço aquilo que sou, penso o que me passa na cabeça, sinto assim e amo desta maneira! Sou todo um complexo pacote. Levem-me ou deixem-me em paz. Aceitem-me ou sigam para outro! Não tentem fazer-me sentir menos pessoa, apenas porque não encaixo na vossa ideia de como devo ser e não me tentem mudar para encaixar no vosso tupperware. Se eu precisar de mudar, eu mesmo tomarei essa decisão.”

Quando fores suficientemente forte para tu mesmo alimentar o teu amor-próprio, ficarás espantado com as possibilidades que a vida te apresenta.

Lista de exigências

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Exijo um tipo de sociedade em que o recolhimento, o retiro, seja um direito natural. Acuso o mundo moderno de ter invadido a minha solidão, de ter introduzido nela a política e guerras totalitárias. Como tal, vejo-me obrigado a exigir que se transforme o mundo. E não me digam que tal exigência seja desmedida: ela constitui a condição básica da sua existência.

É muito difícil para mim aceitar esta tarefa, que não implica qualquer agradecimento: manter-me aparte e agir como intermediário; comunicar algo tão essencial como queijo e vinho. A sociedade nunca chegará a compreender estas exigências, continuará indiferente. No entanto, eu devo aprender e compreender a sociedade. Devo aceitá-la? Faço-me explodir.

Termo acumulador

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Não deixes acumular palavras que precisam de ser ditas. A dor que sentes não deve ser escondida. O arrependimento e a raiva deverão ser suprimidos. Tudo o que leva ao teu diminuir.

A raiva é uma toxina mortal que se liberta no corpo. Toma conta dele, membro a membro, entra nas veias e circula. A vingança e o ódio tomam conta de ti. Agora, é tarde demais.

Loucura é não amar

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Aos vinte, ficou louco de amor, e aos trinta, um homem de idade madura, continuava apaixonado e capaz de sublimes loucuras. Um homem que ama pela primeira vez deveria ser cauteloso (deveria?). Apaixonou-se de forma violenta. Até à data, tinha perdido muitas ilusões sobre mulheres; tinha visto um amigo arruinar-se num matrimónio absurdo; conhecia o prazer da liberdade, sem se cansar dela; intuía riscos onde a juventude apenas percebe o êxtase, o homem maduro era apenas uma feliz libertação da solidão. Em vez de procurar, ele era procurado; era egoísta e restrito. Todas estas coisas combinadas acalmavam-lhe a paixão. O seu amor era um afecto adormecido, uma carícia sóbria, de olhos abertos, cuidadoso, demasiado orgulhoso para parecer angustiado.

Talvez

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Talvez tenha sido loucura o que me impulsionou a viajar. Eu dizia que tinha sido cultura. Claro que a cultura é por vezes loucura, ou inclui-a no seu curriculum. Talvez tenha sido o desamor que me impulsionou a viajar. Talvez um amor excessivo e transbordante. Talvez tenha sido loucura.

inútil fuga

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Durante os últimos cinco anos a minha vida não tem seguido um rumo fixo. Indo de nada a nada, sem dono nem destino, sem refugio nem bússola. À deriva. Empenhado na inútil fuga de mim mesmo, em busca de um lugar onde cair vivo. Bebendo cubalibres e fumando charros e enchendo copos e beijando lábios e lendo livros e escrevendo textos, em geral bastante maus, há que reconhecê-lo. Digamos que queria ser Burroughs. Experimentei quase todas as drogas disponíveis.

Uma vida em perpetuo movimento, a travessia contínua da cidade, saídas a horas intempestivas, encontros em lugares inesperados, perseguições, enganos, traições, vinganças, caras novas, gente nova, camelos, caramelos, charros, idas e voltas, nenhum lugar seguro, nenhum dia igual ao outro.