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Agora é um ritmo

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Nos bosques agora mais verdes e um céu que dá sinais de serenar, as folhas no chão, e a terra molhada. As flores ganharam um novo aroma, tremem à medida do vento.
Há algo de revigorante neste Inverno. Como um homem orgulhoso pelos primeiros cabelos brancos. Escrevo sobre o Inverno de partida e a melancolia de dias dourados de Verão, ao ritmo de um animado bater de coração.

Presente perfeito

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Uma luz côr de avelã ao longo do muro coberto de musgo; a sensação de algo encontrado, de prazer. Tudo o que poderá ser, de enorme, de prazer, apertamo-lo entre nós. Crescemos – trazemos esboços de verão -. Juntos fazemos um perfeito presente.

O lento avançar

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O mundo veste-se agora; as ondas estão mais azuis, e nós montamos o nosso acampamento algures entre nuvens. Os montes distantes estão cobertos de uma neblina púrpura; amadurecem os dias e aumentam as noites ao lento avançar do Inverno.

Somos sombras

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Escuta, a música lenta de passagem. A música pálida, que à passagem muda páginas. O céu perdeu agora o amanhecer que permanece nos teus olhos. Consegues ouvir o cair da fruta?

Dentro dos sons nocturnos, dentro da noite onde caminhamos, dentro da noite somos sombras.

Beleza

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Ele desenhava-a, os ruídos lá fora nada significavam. Enquando ouvia apitos, motores e berbequins, pensava em amarelo, em vermelho sangue, e sorria à medida que a figura dela ia surgindo.

Paisagem

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Apesar do Inverno, ele sentia a primavera; ninguém o poderia descrever e no entanto ele sentia, escutava-a perto. Algo o convidava; há uma casa por detrás daquele monte, um caminho aleatório entre a vegetação.

A vida, como a natureza, aceita sugestões do que se deseja; aquilo que mais se deseja tem o poder de conduzir e mostrar-nos ao lado mais intenso da vida. Segui o caminho, esperando encontrá-la.

Um artísta português III

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O seu sofa permaneceu vazio encostado à parede, aquela face triste perdeu-se na manhã. O seu pulsar aumentava, fixou o olhar ansioso. "Por um vislumbre antes da lágrima, pudesse eu apertar a mais fria nuvem contra o peito!"

Passaram algumas semanas; à distância, uma ténue linha de azul pálido que o olhar havia percorrido dia após dia. Levantaram-no então do sofá – o artista tinha voado.