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A prova

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Eu retirei-me para a floresta, e as minhas palavras foram engolidas pelas folhas; e um dia chegas tu aos seus limites (era isto por que esperava), permaneceste ali contemplativa mas não entráste, apesar de ser forte o desejo: abanaste a cabeça como quem diz “não me atrevo”.

Eu espreitava-te atrás de ramos baixos, desfiz a angústia de não te chamar e disser-te “estou aqui”. Estou perto, acordei com a floresta e tu aqui és a prova.

Ao sonhar-te

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Às vezes sonho com os teus olhos sobre o meu rosto, e sinto os teus dedos a tocar suavemente o meu cabelo... e quando acordo todo o lugar se parece encher com a tua presença real.

O que é um sonho? Não muito, dizem eles, uma visão idílica. Bem, talvez tenham razão mas ainda hoje, com todo o mundo varrido pela dor, o sofrimento deixou de o ser ao sonhar-te.

Sinto-te comigo, de mãos entrelaçadas.

A seguir

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O mundo já dormia há muito, a terra estava fria e cinzenta, ouvia o som dos meus passos a ecoar e a voz das árvores. Não importa se o caminho se fez rochoso, estreito, ingreme; eu continuei a perseguir-te, a visão da beleza de tudo em ti, o profundo e absoluto êxtase.

Corri entre silêncio orvalhado, sem pensar no que ficava para trás. Era apenas um sonho e desvaneceu-se ao nascer do sol. Apenas um sonho. Acordo, sigo o amanhecer que me leva até ti.

Lentidão

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Lento, mas seguro, vem ele. Quase podemos sentir a sua respiração, e as flores da terra cedem as suas vidas sob o seu calcanhar gelado. Baixou a cabeça e as folhas cairam mais rápido.

Molda-se uma nuvem, a brisa é fria a afiada. Fevereiro, encurta o teu reinado e leva-te embora; se o Inverno deve morrer, que ganhe balanço o alegre Verão.

A pelar

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Subitamente vimos que a neblina se encaracolava nos montes; o mundo parecia expectante e à escuta. Então, aqui e ali, uma folha amarela; agora num mundo de folhas caídas, as chuvas sombrias de final de Inverno começam a pelar.

A caminhar II

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Pode partir o sonho; no domínio da alegria desvanecida, gentilmente, alguém deixa um resto de esperança. Ponderei sobre as palavras escritas, "A perda da beleza nem sempre é uma perda." A voz do que sentia acalmou-me a dor e deu-me força para continuar a caminhar.
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Andei sozinho no interior do bosque; os fenos murchos já não perfumavam o ar. E folhas incontáveis sob os meus pés, nas quais o Verão escreveu a sua despedida.

A solidão de cada local; a melancolia; toda a natureza suspire, disse eu. Um Fevereiro selvagem arrancou algumas páginas do seu livro. E, de repente, um bando de aves selvagens, uma tensão estranhamente nítida e doce parece devolver os céus de Março e acordar flores adormecidas.