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O amor preciso

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Se precisas de me amar, que seja por nada excepto e apenas pelo sentir. Não digas “Amo-a pelo seu sorriso, olhar, a sua maneira de falar, por um pensamento que se encaixa no meu e que traz uma sensação de tranquilidade” — pois estas coisas em si mesmas podem ser mudadas, ou mudar por ti — e o amar, assim sentido, é assim em forma bruta, pura. Ninguém ama por pena ou para secar lágrimas, uma criatura pode até esquecer-se de chorar para prolongar o seu conforto e perder assim o que sentia.

Mas amar por amor, garante a sua eternidade.

A sua recusa

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Se é amor, a respiração cansada de pintar inundações até à costa, o olhar descaído ainda a ler sobre a terra os tristes memoriais de amores deseperados; se é amor, lutar contra nós mesmos, deitar e chorar, erguer o pesar, a pedra que nunca descansa, ainda a reclamar arrependimentos apesar de nenhum alívio; se é amor, vestir-me de pensamentos negros, assombrar caminhos inexplorados para chorar longe; o prazer do horror, música de notas trágicas, lágrimas nos olhos e arrependimento no peito.

Viver uma morte viva, então para quê respirar? Se isto é amor? Não, é a sua recusa.

O que muda

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Se ela é mutável, se dúvidas crescentes procuram o seu lugar, eu conjuro-as para que não se movam por detrás do seu rosto. Deixa-me questionar-te, enquanto ainda pisca a dúvida, uma luz líquida de azul fugaz, a ver se ela deixa os olhos, brinca á superfície ou os atravessa.

Em cada palavra deixa então aparecer o sorriso, modesto e adocicado.

Acaso

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Sonhei com o teu rosto, uma noite, quando o céu parecia descansar contra a conturbada febre terrena; sonhei com aves em voo. Sonhei com um perfume espalhado em toda a parte, e um som de canto distante – e então – sonhei o teu rosto.

E eu acordado de um sonho, (a madrugada ainda rastejante fria e nua) o sol nascente de pálido raiar, pois a sua chegada não te encontrou aqui. E eu – levantando-me em desespero, como alguém cuja sede não foi saciada; eu sonhei o teu rosto, um admirável mundo, e acordei. Ali estavas, e eu vivo no teu rosto.

O sentir e o modo

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Porque te amo? Deixa-me então contar. Eu amo-te em profundidade em largura e altura, quando estou fora de alcance pelos confins do ser e do ideal. Amo-te ao nível da tranquilidade de todos os dias, ao sol e à luz trémula de uma vela. Amo-te livremente. Amo-te com a paixão posta em uso. Amo-te com um amor que julgava perdido, amo-te ao respirar, sorrir, chorar, viver. E, podendo fazê-lo, amo-te para lá da morte.

Escuta

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Masao Yamamoto

Silêncio. Na íntima escuridão nada se ouve, apesar de te apoiares na extremidade do pé.

Penduram-se as estrelas na macieira, o vento sul transporta um aroma marítimo. Este noite é para ti, é tua. Escuta. A dança das folhas invisíveis, um pássaro sonolento no beiral.

O que dizem

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Os seus olhos dizem sim, os seus lábios que sim. Diz-me, devo acreditar nos lábios ou nos olhos? Aposto no olhar não disfarça, ou nos lábios que tremem, o caminho a seguir. O que sentes pode ser por lábios prometido, embora a verdade de um olhar insurrecto possa negar o armistício destes.

Mas podem os olhos apaixonados dissimular, ou lábios falsos tremer, este “sim, quero tudo”?