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Duplo Silêncio

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Bem no interior do sol cresce a libélula, paira como uma linha de céu perdida: esta hora alada cai sobre nós. Fechamo-nos em nós, recusamos o dote, a hora inarticulada que nos acompanha de perto quando o duplo silêncio se converte em declaração.

Silêncio

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As tuas mãos abertas sobre a relva fresca, o dedo aponta para lá do campo: os teus olhos sorriem tranquilos. A vegetação brilha sob céus dispersos. Tudo em nosso redor, até onde os olhos alcançam, são campos de orla prateada. Este silêncio visível, quieto como um mostrador de relógio.

O casal-montra

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Tal como o são agora. Pode o desejo prever uma nova hora, quando o fluxo do sentir escurecido se ilumine uma vez mais? Uma hora tão lenta a chegar, tão rápido passa, que floresce e desaparece, desmaia como uma flor derramada, um sonho atenuado.

Dois

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F.J. Torgal

Dois silêncios em separado que, reunidos, encontram a voz; dois olhares que juntos sorriem, agora perdidos como estrelas por detrás de árvores sombrias; duas mãos distantes em que toque se anseia; dois peitos de mútua chama, feitos o mesmo; dois, o mesmo mar.

E ainda outra vez

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Diz de novo, e ainda mais uma vez, o que sentes. Embora a palavra repetida pareça a de um refrão, lembra-te, sem ele nunca o verde da primavera estará completo. Tu, cumprimentado entre a escuridão, “Diz uma vez mais.”

Quem pode ter medo de estrelas a mais, de flores demais? Diz o que sentes, sente, sente-te — e ama também em silêncio.

O regresso do homem-montra

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Ausente dela, ainda permanece; Não lhe perguntem, quando regressas? O tolo que vagueia a desejar todo o dia, toda a noite a lamentar. Tenta voar a partir dos seus braços, que a sua fantática mente consiga provar os tormentos da falsa partida.

Cansado de um mundo miserável, aposenta-se do peito onde flui a verdade. De novo errante, cai daquele céu sobre alguém desventurado; infiel aos outros, falso sem o querer saber, imperdoado por si mesmo – E lá vai perdendo pedaços de vida.

Os brilhantes esquemas

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Alimentei-me da sua radiância, deitado sob uma pereira em floração. Ela é marcada por um brilho sem nome. Luz e calor. São proféticos os aromas, os olhos deslumbram-se com o sentir feito manifesto, a mente parturiente e trémula inundanda de brilhantes esquemas.