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Transforma II

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Beijei-a ao primeiro amanhecer, no corpo sentia uma dor estranhamente adocicada, uma nova e selvagem forma de felicidade que ainda não conseguia compreender. E agora, ao agarrar os teus dedos esguios, mantendo-te escravizada a pedido de um corpo ansioso, sinto a mesma estranha sede, sempre insatisfeita – porque deveria eu desejar compreender?

Transforma I

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Deve ser esta a minha tarefa, sendo eu o meu próprio arquitecto, criar-me a partir dos átomos que giram à tua volta.

Fiz-me com a inteligência de uma criança: uma coisa comum a partir de barro terreno. Mas com estes olhos consegui ver a dupla chama, e ao olhar senti a selvagem surpresa da transformação – o teu bater cardíaco em mim.

Alienação III

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Ele estava numa cama estranha, abraçou a mulher desconhecida, desejando apenas uma memória morta de tudo o que uma vez tinham desejado. Foi então que se apercebeu o quanto a amava, a mulher perdida; exactamente como eram, como a iriam amar até ao fim.

Deita-se entre os seus braços, acordado e a amaldiçoar a noite indiferente, lenta por ele, pelo seu desejo. Entre braços acordado em tal solidão, e quando a beija os seus lábios choravam o seu nome.

Alienação II

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E com o amanhecer a visão regressou a um cérebro agitado e recorrente: pensar o seu corpo, quente e pálido, passar a noite entre braços; foi-lhe concedido por surpresa, com aquele olhar, os segredos da sua beleza, que poderia nunca ver: ele que diz amar, ele que encontra nela um meio-esquecido ponto de vista.

Alienação I

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Ontem à noite vi-a adornada para a chegada desses pés relutantes: o pequeno gorro que usa de bom grado, por causa dele, para ser mais justo. A palidez do seu rosto perfeito; o vestido escuro dobrado sobre a garganta. Ele chegou e levou-a; e assim ficaram perto e longe, ela nos seus braços desperta e ele apenas acordado, amaldicionado um cérebro que não conseguia dormir.

A sua imagem na parede, a violência das mãos de amantes cansados demais para o toque (aquelas mãos).

Sede

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Bebe-me apenas com os teus olhos, e eu irei pedir-te com os meus; ou deixa-me um beijo no copo e eu não irei mais procurar vinho. Esta é a sede que emerge.

Remeniscência

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Ela usava um vestido novo cinzento e ali ficamos por causa da tempestade que caía, sentamo-nos.

Parou a chuva e o vidro que antes tinha encenado as nossas personagens moveu-se, ela saiu pela porta: deveria tê-la beijado se a chuva tivesse durado um minuto mais.