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O olhar das árvores

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As árvores, para quem a escuridão é uma criança a correr dentro e fora da longa folhagem; para quem o sol é um viajante esfarrapado a contar os seus sonhos e escorregando estrada abaixo vestido de crepúsculo.

Olham para nós com a cansada e indiferente tolerância que todas as coisas imóveis possuem.

O que escrevo II

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Ela não foi. A passagem de cada dia vazio trouxe-a mais perto. Aquelas coisas que eram parte de ambos, que planeavam juntos, pedaços dela que ficavam e o dilaceravam com a precisão de um gume afiado.

O tempo encerra a sua cura – mas os anos que passam não conseguem apagar o que foi escrito no interior do corpo.

O que escrevo

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Por vezes, uma névoa de luz solar atravessa o cabelo de um estranho; por vezes a vaga expressão no rosto de um estranho pode fazer-me sentir a tua presença – pode preencher um lugar solitário com sonhos de uma vida meio-realizada.

A música suave no ar pode levar-me a ouvir o teu passo, outra vez, nas escadas. Por vezes, alguém a dançar com uma beleza inconsciente pode acelerar o meu batimento cardíaco, e um espaço vazio pode fazer-me virar à espera de te lá encontrar.

O inestimável prazer

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Uma nota de música suspensa, uma nuvem que termina na minha avenida, uma mão bronzeada, a voz de quem amas, um parágrafo, destroça assim a minha defesa lentamente forjada e, uma vez mais, fico perante o inestimável prazer de assim te desejar.

Atrás dos montes

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Com que drogas conspira ele para ainda a chorar incessantemente: afogado na monotonia do tilintar de chaves, apunhalado por uma caneta, esmagado no cruel mecanismo do sono e comida e trabalho e comida, até à ilusão do domínio da vontade feroz, e ela se ter tornado uma imagem perdida como o sol atrás de montes.

Lua em branco

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A estrada, a Lua em branco acima; branca na Lua a estrada que me leva a ti. Ainda pendura a extremidade, ainda, ainda ficam as sombras: os meus pés sobre a poeira lunar seguem o caminho incessante.

O redondo do mundo, diz quem viaja, e a linha recta como o caminho mais desinteressante entre pontos, continua a marchar, o caminho irá guiar alguém de volta.

As voltas II

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A poeira que o vento levantava colidiu com as tuas pernas esguias. O vento que me acariciava enquanto eu seguia um caminho até à pele brilhante que ia surgindo entre tecido esvoaçante. Ficaste sem peso, ergueste as sobrancelhas colocando uma questão. Ouvi-te sussurrar baixinho, enquanto te espreitava.