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Natural de qualquer parte III

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Pisam a floresta escura, cuja primitiva disposição desde sempre projecta a sua sombra; ponderam a corrente e as marés do oceano, observam as variadas formas de vida que os rodeiam: as aves que assombram florestas e planicies, os peixes que nadam, os mares, os rios, as correntes e os ângulos das suas margens; espreitam a vida que decorre o espaço e o seu tempo.

Em consciente natureza

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Quem lhes vai contar do arrebatamento que acorda alguns homens? Que lhes irá explicar pacientemente, eles a prestar atenção, e responder de novo?

Renova-se o olhar líquido do céu, enquanto o homem passa. Entre o seu arrebatamento nenhum impulso será apressado. Nunca é uma língua comum, nunca uma palavra comum. Com a destilação pura do sentir no teu copo, onde o derramas?

Apenas um momento, em todo o tempo embriagado de mudança, para nos retirar o carácter de estranho. É esta a dor e este o prazer – o agridoce que o homem drena: a consciente natureza em que permanece.

Vaga lume II

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A mais vulgar das ervas em alguma fenda escondida tem nos seus estreitos limites a mesma força que controla a maior das árvores e as aumenta, ano após ano, folha, galho, ramo, até à sombra em que os animais se guardam em dias de Verão. Ergue-se aqui uma árvore em miniatura, erguendo pequenos ramos em direcção ao céu, expondo-se ao sol matinal, surgindo fruta e sementes que crescem sobre a decadência de outra.

Tira apenas a luz, perdem-se o conforto e os amigos no labirinto de uma noite sem estrelas.

Vaga lume

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Tira apenas a luz deixando tudo o resto, animais e árvores, paisagem, casas habitadas, metais preciosos e riquezas acumuladas; o que fica? O escárnio de uma noite cega, existir enquanto morto, tropeçar nos caminhos de um labirinto sem esperança, sedento com nascentes à distância de um toque, a morrer de fome em campos de milho.

Natural de qualquer parte II

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Diz ele que não deve partir de casa, que mantém um quarto para aqueles que vagueiam. Ele também sabe que tarefas atribuir aos insectos na privacidade de divisões seladas, com cortinas pesadas a impedir luz solar – as larvas com a fraqueza do sono.

Nenhuma criatura se pode evadir às armadilhas que colocou para apanhar o que as assombra.

Natural de qualquer parte

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Ele espera em casa, e conserva tudo o que dela se desprende. Diz ele, a viagem foi uma mera imprevidência por ventos que o pensamento semeia no campo. Recusa-se a manter um jardim como património classificado, mas deleita-se a cumprimentar as plantas a seus pés.

Escolhe uma flor como bandeira e sonho de uma antiga paixão.

Espelho teu

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Chega o dia sobre o topo do monte, ela observa as árvores em seu redor, a sua face refletida.
Deixa-se ficar por ali sobre o céu curvado, observando brumas matinais que seguem o caminho sinuoso em degraus monocromáticos. Abaixo, nas águas límpidas, a luz solar é quatro vezes arremessada em toda a sua extensão.

Por vezes, ao amanhecer, as nuvens parecem deixar-se ficar num ponto distante, em pausa de voo. "Responde-me isto: pode alguma coisa ser tão sublime como o esplendor deste momento roubado ao tempo?"