Ninguém pode enjaular os olhos que se
acercam de uma janela, nem proibir que percorram o mundo até aos seus confins. Nos
claustros, cozinhas, estrados e gabinetes da literatura universal existe uma janela
fundamental à narrativa, e também nos quartos de hotel que pintou Edward
Hopper. Alguém que lê um livro ou que estava a falar com um amigo, espreita
pelo vidro, levanta uma persiana, e os seus olhos começam a fugir, pássaros em debandada
que nenhum ornitólogo conseguirá classificar, nenhum caçador matar, que levantam
voo com destino ao lugar incerto de que apenas se sabe estar longe.