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Um milhão apenas

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Em sentimentos, em silêncio, sem razão ou matemática ou mapas-mundo, apenas um milhão de pensamentos tocados pelo desejo e memórias fantasiadas; navegamos à vista, um quadro em movimento, pintado ao amanhecer, sem palavras, sem jogos.

Ser dois

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Ser um insecto quieto sobre uma flor, a felicidade de uma hora. Ser uma nuvem, a soprar tons de anil, sombreando montanhas, apressando-se ruidosamente em vales profundos onde as correntes guardam trovões pungentes e arcadas de névoa. Ser uma onda fragmentando-se na areia e abandonando lentamente a terra. Contar histórias de grutas de coral meio escondidas.
Cedo morrem as flores; os insectos vivem um dia; as nuvens dissolvem-se em chuva; apenas as ondas permanecem neste não permanecer.

A janela

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Ninguém pode enjaular os olhos que se acercam de uma janela, nem proibir que percorram o mundo até aos seus confins. Nos claustros, cozinhas, estrados e gabinetes da literatura universal existe uma janela fundamental à narrativa, e também nos quartos de hotel que pintou Edward Hopper. Alguém que lê um livro ou que estava a falar com um amigo, espreita pelo vidro, levanta uma persiana, e os seus olhos começam a fugir, pássaros em debandada que nenhum ornitólogo conseguirá classificar, nenhum caçador matar, que levantam voo com destino ao lugar incerto de que apenas se sabe estar longe.

Ser um

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Ser uma planta em equilíbrio perante o sol, curvando-se ao passar do vento; segurando aromas como um copo em jantar de amigos, a fragância de um dia solar.

Ela

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Já viste árvores de luto atear fogo. É a melhor forma de ser brilhante, deixar a madeira dançar entre mundos, os exércitos de homens marchar na sombra, o prazer e a luxuria soltos.

Ela, de vigor lunar e coberta de poeira âmbar, deixa o seu rosto ser beijado pela chama.
“Deixa o teu rosto ser o meu templo.”

A Sombra

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Os dedos das sombras sabem o caminho. Até os mais vazios, expiram mortos e deixam rastos de vida. A intuição liberta a inibição onde descansam os sonhos, cativando sem tentar. O medo é deixado só, intocável, invisível, não sentido, sem sentido. Um anjo caído, um sonho. Um pulsar que desejas, “fica”.

Estudo energético

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A energia condensa-se sob ti, preenchendo o pulsar venoso da terra. Sonhas de novo o oriente, já longe dos presságios graves de gente estúpida.

Para a noite, os imortais são também coisas passageiras.