A manhã
Acordo dorido de não ter ficado nesse espaço. Uma ilha não inscrita em nenhum
mapa, uma célula doente de ignorância, um mundo asfixiado em miniatura, uma humanidade
avançada, em fogueiras homicidas.
Uma só tábua, sem naufrágio sequer, lutando por alcançar a costa e animada apenas pela recordação. Morro de sede e fome enquanto desperta o dia. Eu estou abaixo, debaixo da história sepultada em velas apagadas. Submerso em humores subterrâneos e em cinzas de ossos, sou o ser que não fui, o que não pude, o esquecido, mas existo. Dentro tenho alguém que me chama, sem me nomear. Dou-me conta, dou-me conta, eu existo.
Amanhã desperto, a cantar.
Uma só tábua, sem naufrágio sequer, lutando por alcançar a costa e animada apenas pela recordação. Morro de sede e fome enquanto desperta o dia. Eu estou abaixo, debaixo da história sepultada em velas apagadas. Submerso em humores subterrâneos e em cinzas de ossos, sou o ser que não fui, o que não pude, o esquecido, mas existo. Dentro tenho alguém que me chama, sem me nomear. Dou-me conta, dou-me conta, eu existo.
Amanhã desperto, a cantar.