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Fronteira

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Lágrimas e sorrisos, ambos de natureza erótica, aprovados por ambos os mestres, céu e inferno. Componentes diferentes exilados de um mesmo lugar, uma fronteira de coisas semelhantes. Uma palavra honesta, um olhar profundo, tudo consumido por uma crença. Uma promessa cumprida, um toque irreal, uma veia azul.

As mãos

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As esguias mãos tão suaves, as mãos que tocam aqueles que nascem em determinada noite de vinho brindado e flores evanescentes; as mãos que eu beijo, até ao extremo de cada dedo e delicadamente em redor de cada pulso coloco uma pulseira com os meu lábios; as suaves mãos, minhas por todas as noites que restam, com aquele prazer da descoberta de outras terras, as tuas mãos, minhas pelos dias que restam.

O Tempo e a Pressa

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Vive-se depressa demais, pensando-se de menos. O tempo corre e nós com ele, quando o essencial não são os segundo que passam mas o que neles está contido. Vemos tudo de passagem sem que se pare e se contemple, sem questionar, sem ideias que levem a outras.

Vive-se depressa demais quando, por vezes, o essencial era ficar quieto.

Chamada

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Os meus olhos abriram-se perante um telefone azul na casa de banho do hotel de 4 estrelas. A quem vou telefonar? A um canalizador, proctologista, urologista, a um padre? Quem entre todos merece o primeiro telefonema? Escolhi o meu pai porque os telefones de casa de banho sempre o fascinaram. Liguei para lá. Atende a minha mãe. “Mãe, posso falar com o pai?” Ela engasga-se, e então eu lembro-me que o meu pai está morto há quase um ano. “Merda. Esqueci-me que ele está morto. Desculpa, como me pude esquecer?” “Tudo bem”, disse ela. “Fiz-lhe uma chávena de café instantâneo esta manhã, e deixei-a na mesa. Como o faço há, sei lá, vinte e sete anos. E não me dei conta, até esta tarde.” Riu-se para os anjos que aguardam as nossas pausas no mais comum dos dias.

Em possibilidades

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Não envergonhes aqueles que declaras vergonhosos. Não subestimes quem não tem vergonha. Torna-te no que não te atreves; não tentes explicar o que sentes. Respira profundo, estende a tua mão ao inalcançável; fecha os olhos, abre os ouvidos, aprende a festejar o silêncio e sonha.
Deixa a escuridão sentir a luz, deixa a luz escapar à escuridão, não sonhes com energia potencial. Digere o remorso, torna-te intocável e alimenta-te do teu próprio conhecimento.

A natureza do vento

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Lâminas afiadas de relva voam no vento, o vento é como muitas coisas, emoções, árvores; o vento não tem vergonha, não justifica o que faz, não se arrepende; o vento é o vento, é a sua natureza.

Como alguém que bem conheço

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Durante os últimos cinco anos a sua vida não tem seguido qualquer rumo fixo. Indo de nada a nada, sem dono nem destino, sem refugio nem bússola. À deriva. Empenhado na inútil fuga de si mesmo, em busca de um lugar onde cair vivo. Bebendo álcool e fumando charros e enchendo copos e beijando lábios e lendo livros e escrevendo textos, em geral bastante maus, há que reconhecê-lo. Digamos que queria ser uma espécie de Kerouak. Experimentou quase todas as drogas disponíveis.
Uma vida em perpétuo movimento, a travessia contínua da cidade, saídas a horas intempestivas, encontros em lugares inesperados, perseguições, enganos, traições, vinganças, caras novas, gente nova, camelos, caramelos, charros, idas e voltas, nenhum lugar seguro, nenhum dia igual ao outro.