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Dito

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Diz o que sentes, outra e uma vez mais. Não tenhas medo, nunca me irei cansar de ouvir as palavras. Esperava há muito por esta reverbação; um som pulsante, primordial, sobre quem aguarda. Cresce o sentir, enquanto caminhamos ou dormimos, em prazer ou dor. Inunda cavernas íngremes, sobre resídous arenosos quentes até às rochas empoleiradas. Até o planeta renascido nos acolhe.

Apenas um

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E ele foi. Ela chorava. Ouviu-se em voz suave... "Pensavas que era um homem o que precisavas. Mas ele colocou-te numa prateleira a definhar. Pensavas que era um amante o que precisavas. Escolheste um amante que te usuo como degrau em direcção aos desprezados muros da sua vida. Não, não é um homem o que tu precisas, não um homem que não te entenda sem esforço nem o queira ter. E não é um amante o que precisas. Um amante como uma vela de cheiro, iluminando e perfurmando a tua vida por uns momentos, deixando-te depois a tarefa de lidares com a escuridão. O que realmente precisas não é apenas um homem, apesar de ser essa a designação comum. Não é apenas um amante, apesar do que sente por ti. Será ele, com quem te completas em apenas um."

Abismos opostos II

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Agarrou as suas mãos, tocou os seus lábios nos dela e disse "Faço esta promessa: quando precisares de mim, chama-me. Eu virei para o teu lado. E todas as noites irei voltar, polir cada arranhão, corrigir todas as falhas que a vida colocou em ti. Irei deitar-me contigo a aliviar a tua dor. E quando o abismo se for, quando a eternidade for nossa, colocarei o teu presente em lugar de honra para que o mundo possa ver e compreender o que sinto por ti, o que és, a tua vida. Eles irão perceber que tens finalmente o sentir merecido."

Abismos opostos

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A luz suave dos seus olhos e a água salgada no rosto, trazendo vida e beleza onde antes havia desolação. E lá estava ele, ao seu lado. Perdeu-se nos seus olhos enquanto ele se colocava entre mãos. "Leva-me," ela começou a chorar, mas um toque nos lábios sufocou o grito na garganta. "Colocaram-nos em lados opostos de um abismo."

Tempo

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Sazonova Ksenia O tempo parou enquanto ela observava. O dourado foi arranhado, marcas de dor na sua vida. Desaparece cada uma delas sob a sua atenção, cada parte amolgada puxada e esticada de novo, cada arranhão polido. Tempo, ele parecia ter tempo sem fim, enquanto ele se concentrava em cada falha, uma a uma, as lágrimas à medida que compreendia o significado de cada dor, depois apagava-a com as suas próprias mãos.

A anos de negligência

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Olhou para ela. Ele percebeu. Ela adormeceu. Ela acordou e viu-o ali com a caixa de ferramentas ao seu lado. Ele estava a um milhão de quilómetros de distância, do outro lado do oceano, e no entanto parecia ainda estar ali ao lado dela. Ela espreitava as mãos que traziam de volta a maravilha, que faziam desaparecer todos os anos de negligência.

A caixa, o seu presente II

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Sentou-se ali a chorar, o seu soluçar tocava todas as fibras do que sentia. Dentro da caixa, o seu presente, o seu desejo, a sua necessidade. As sementes da sua humanidade. Aventurou-se em direcção à luz solar, sentiu o cheiro das árvores, a maravilha dos animais atraídos pela beleza. Mas a sua caixa era cor de cinza, coberta por anos de negligência, as sementes caídas em terra árida. Um sentimento em hibernação. As lágrimas traçavam linhas sobre a sua face.