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O mesmo mundo?

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Declaravas nos bosques não ter promessas por cumprir. Rodeado de tons de cinzento a partir de prata e azul, ramos que escurecem o horizonte como veias secas de um corpo baldio. É esse o mesmo mundo? Cada respiração quente desfraldando o vidro da janela, como o calor que faz o cabelo encaracolar. Ficas em casa com medo do frio, medo dos pinheiros, medo de horas que passam, medo deste tempo. À tua frente um electrodoméstico que crepita, um livro que te leva em viagens de sonho, nenhuma delas a tua. Uma casa vazia cheia de coisas.

Os realizadores de sonhos III

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Os realizadores de sonhos sobreviveram aos climas gélidos e brotaram por geração espontânea nos climas cálidos. Quem sabe as árvores, os céus azuis, as chuvas torrenciais tiveram algo a ver com isto. A verdade é que estes seres não deixavam de sonhar, de viver e de construir mundos, mundos de homens e mulheres que se chamavam de amantes (de quem ama), que se ensinavam uns aos outros a ler, se consolavam nas mortes, se curavam e tratavam entre si, se desejavam, se ajudavam na arte de querer e na defesa da felicidade.

Avó

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Agradeço-te tudo, o teu ser é verdadeiramente excepcional. Cuidaste de mim ainda não sabia eu caminhar, ou sequer o que era um caminho. Sou agora um homem jeitoso, segundo dizem, e tens responsabilidades nisso. Orientação e amor dados sem condições pré-determinadas nem obrigações sociais. A genética não é para aqui chamada. Espero que estas palavras permaneçam por aqui, despertando memórias e a antever tudo o que ainda falta chegar. O que sinto, avó, não se vai assim. A maravilha é para sempre.

Eclipse / Azul

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A sensibilidade devolve-me aquilo de que a alimento. Ao olhar o azul do céu, não sou um ser cósmico, não o possuo em pensamento, nem elaboro uma ideia de azul que me revele o seu segredo; abandono-me a ele, entro no mistério, torno-me céu eu também nesse azul ilimitado.

Da janela

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Foto: Bernardo Martins (Dublin, 2013) "Obrigado" foi um prazer. "Aceitas?" ele declinou. Por vezes, noite dentro, amaldiçoava os sentidos e sonhava a maravilha de ser uma moldura de janela.

Regresso #2

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Foto: L. Gato Tinha vivido debaixo de terra, e ela habitado entre nuvens. Regressou ao seu próprio nascimento. Não deviam qualquer gratidão à sorte, apenas um ao outro e ao consequente acelerar cardíaco. Nem o tempo nem o lugar ou qualquer circunstância, conseguiram manter os seus lábios, o seu peito, o seu sentir afastado.

Regresso

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Foto: L. Gato Onde estamos? Acreditámos em poderes nascidos de mentiras. Vimos as mais puras águas. Vimo-nos um ao outro neste tempo em que a inocência é apenas uma intenção. Deixem-nos sonhar, sonhar mais longe, o caminho de regresso e regressar.