Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Obter link
Facebook
X
Pinterest
Email
Outras aplicações
Expostos à luz infinita, pastores do vento. Os montes sustentam-lhes a visão, entre um vazio e outro mais brilhante, música e silêncio. Inquietas levantam-se cabeças de ovelha, e depois continuam.
Toquei, então, o corpo da música ouvida com a ponta dos dedos.
Juntos, à sombra... os nossos corpos estendidos.
Por fim, abriste os olhos. Vias-te vista por meus olhos,
Dentro de mim subia uma maré...
No teu olhar me enterrei.
Fluem pelas planícies da noite os nossos corpos: são tempo que finda, presença num abraço dissipada; porém, são infinitos, e, ao tocá-los, banhamo-nos num rio de pulsações, voltamos ao perpétuo recomeço.
Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Pisam a floresta escura, cuja primitiva disposição desde sempre projecta a sua sombra; ponderam a corrente e as marés do oceano, observam as variadas formas de vida que os rodeiam: as aves que assombram florestas e planicies, os peixes que nadam, os mares, os rios, as correntes e os ângulos das suas margens; espreitam a vida que decorre o espaço e o seu tempo.
Comentários
Cabias na cova da minha mão.
Toquei, então, o corpo da música
ouvida com a ponta dos dedos.
Juntos,
à sombra...
os nossos corpos estendidos.
Por fim, abriste os olhos.
Vias-te vista por meus olhos,
Dentro de mim subia uma maré...
No teu olhar me enterrei.
Fluem pelas planícies da noite
os nossos corpos: são tempo que finda,
presença num abraço dissipada;
porém, são infinitos, e, ao tocá-los,
banhamo-nos num rio de pulsações,
voltamos ao perpétuo recomeço.
O.Paz in, Regresso
Tudo,
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.
[Adélia Prado]
Tudo,