Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Serena
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Serenidade. Desejo-te: eu que sei o que procuro. Olhamos a vida em torno, apaixonadamente -sempre- em nós o calor de uma chama dupla. Olhos despertos. De música nos ouvidos. Os dedos felizes. Todo o sabor agridoce da vida, na língua.
Onde estão as bases de uma república genuína, com instituições livres? Temos apenas uma classe governante e uma governada. Onde estão os cidadãos, sem os quais a administração de uma cidade é uma impossibilidade? Temos apenas funcionários. Devido ao governo de tiranos, demasiado lento, existe demasiado desacordo, perde-se demasiado tempo com burlas, estes senhores escravizaram-se a si mesmos. Os cidadãos preferiram ver-se a si mesmos cair vítimas daqueles que elegeram, sem direitos legais, ilusoriamente iguais a todos.
Todas as memórias, todas as caras de dia e de noite em um milhão de sítios diferentes. Todas passaram e em dado tempo acabaram como todas as coisas em dado tempo começam.
Comentários
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade...
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco...
Beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
E estás em mim...
[H.H.]
Sempre.
A vida toda,
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
[C.D. de Andrade]
Sempre.
Pelo menos uma vida,