Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
São as flores escolha do Inverno?
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São as flores escolha do Inverno?
Ela parecia ouvir a minha voz sussurrada. Nunca tinha visto uma face assim e fiquei quieto a espreitá-la. O meu sentir tinha deixado a sua morada e nunca mais regressaria sozinho.
eu pensei mas conheço-a tão bem vivemos juntos há tanto tempo
conheço a sua cabeça de pássaro os seus braços brancos e o seu ventre
até que um dia num fim de tarde de inverno sentou-se à minha frente a à luz do candeeiro por detrás de nós vi uma orelha rosada
uma cómica pétala de pele uma concha com sangue vivo por dentro
não disse nada então - teria sido bom escrever um poema acerca duma orelha rosada mas não as pessoas diriam que assunto foi ele escolher está a tentar ser excêntrico
pelo que ninguém sorriria pelo que eles compreenderiam que eu proclamo um mistério
não disse nada mas nessa noite quando estávamos juntos na cama delicadamente provei o gosto exótico de uma orelha rosada
Se a morte deve terminar em conflito, respondi-lhe eu, essa vida miserável não pode ser vida. Pois quem poderia aguentar a escuridão sem um amanhecer? Essa tua vida é uma morte. Pedes aos santos, cujas faces artificialmente iluminadas te asseguram da sua grace interior; se ao menos eles podessem resolver as tuas questões e satisfazer os teus ansiosos desejos. Um brilho oleoso ilumina a tua fronte, enquanto te ajoelhas dizes: "'Esta vida para me encontrar com o Senhor.” Mas a palavra que ouves foi escrita pelos homens, é a verdade de uma igreja não de uma vida divina ou eterna; é a promessa por cumprir do triunfo da vida sobre a morte, feita a troco de pecados perdoados. Deve haver morte tal como existir o erro (não o pecado alimentado pela santa igreja), viver é a minha religião. Eu sei que esta mortal casa de barro se irá um dia dissolver e acabar por desaparecer. Digo eu, assim vivo, luto pelo que acredito, o que sinto por quem amo é a minha graça terrestre: conquisto assim ...
Henri Cartier-Bresson Senti que tinha invadido a privacidade do casal, um voyeur de um evento ocorrido há quarenta anos atrás. Despertou-me a curiousidade, continuei a ler. "Senti tanto a tua falta depois do nosso ultimo encontro – é sempre tudo breve demais quando estou contigo. Ensinaste-me o meu corpo, permitiste desencadear a paixão, acendes-me para lá da fértil imaginaçâo."
Comentários
mas conheço-a tão bem
vivemos juntos há tanto tempo
conheço
a sua cabeça de pássaro
os seus braços brancos
e o seu ventre
até que um dia
num fim de tarde de inverno
sentou-se à minha frente
a à luz do candeeiro
por detrás de nós
vi uma orelha rosada
uma cómica pétala de pele
uma concha com sangue vivo
por dentro
não disse nada então -
teria sido bom escrever
um poema acerca duma orelha rosada
mas não as pessoas diriam
que assunto foi ele escolher
está a tentar ser excêntrico
pelo que ninguém sorriria
pelo que eles compreenderiam que eu proclamo
um mistério
não disse nada
mas nessa noite quando estávamos juntos na cama
delicadamente provei
o gosto exótico
de uma orelha rosada
[Z. Herbert]
Assim..., tudo muito.
Contigo,
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
[Jorge de Sena]
Conheço-me em ti.