Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Pudesse eu dormir, como dorme uma criança; sorrir ao sonho, e sonhar contigo e sentir o sonho, e fundir-me, pouco a pouco, num outro maior. E passar pela vida de olhos bem abertos sobre um mundo interior, atento apenas ao ritmo do meu próprio coração... E passar pela vida, ser quem se evapora ao sol e perder-me uma noite, como morre uma estrela que ardeu milhares de anos sem ninguém a ter visto.
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No amor tudo é Dois e tudo tende a ser Um.
Este é o mistério da liberdade...'
[O.Paz in, A Chama Dupla]
E é uma escolha profunda.
Tudo,
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
[A.O'neill]
Tudo é profundo contigo.
É assim a minha escolha.