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A mostrar mensagens de Novembro, 2010

Velocidade de passagem

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Quando a amadurecida nota do prazer seduzindo me leva a ti, flutuando entre horas brancas; o teu sorriso desenha o caminho. Tu vieste, eu discerni a temperança do que sentia, o meu caminho em redor, um pilar dado quando tudo era tempestade, noite e raiva.

Na hora da extrema necessidade, da nossa natureza, quando aparecem desconhecidos mundos sombrios e se ensaiam cenas irreais. Lança-se o nosso ser a toda a velocidade.

Consagração

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Ao longo da costa da aflição, pelo desespero do sombrio cardume, ela brilha sobre ele, à tempestade lançado. Tu, inspiradora. Que recitaste o meu renascimento após a viagem acidentada de meia-vida, consagro-te o meu todo.

Guia

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Sim, a vida seria um desperdício, um caminho sombrio onde nenhuma fruta saudável seduz o paladar, nenhum bálsamo floral no ar, se este selvagem sentir nunca surgisse assim de rompante. É um guia, quando o viajante se perde, entre o perigo da inércia e nenhuma estrela da madrugada a sorrir-lhe no caminho; este amor queima sobre as nuvens, gemina uma vida.

O que sentes

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O amor está muito além do carinho. Acarinhar é frequentemente condescender, uma forma de sentimento que reconhece a inferioridade do outro.

Diz-me a forma do que sentes por mim: enganosa ou sincera? De raízes profundas como uma árvore de floresta ou como uma lágrima de criança? Ou é como o orvalho matinal, de vida breve, resistente ou profuso? Aguardo apenas uma palavra, uma resposta a uma pergunta: amas-me?

Este mesmo III

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Nan Goldin

Há um amor cego à razão for a do controlo da natureza – um sentir que ocupa a mente e nos preenche o ser. Há um sentir que te diz pela sua própria luminosidade o que as palavras não conseguem expressar. Há um sentir de serena calma, o iniciar da felicidade, um bálsamo quem cura a cada beijo dedicado.

Este mesmo II

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Há também amores contrafeitos – uma obra de arte estudada. A pomba branca com coração de abutre. Há um amor expresso em palavras, e muito frequentemente acreditado, que deixa a confiança angustiada, esquecida e enganada.

E há este calor intenso que rapidamente se entranha e lentamente nos consome no decorrer de uma eternidade.

Sopro

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Edward Weston

Parecias fundir-te no soprar do vento, um templo azul-escuro do céu. Curvas-te quando me aproximo, distorcendo a imagem. Eu passo, erges a cabeça e sopras-me um sorriso. Apanhou-o entre os lábios e sopro de volta. E naquele momento sentido, apesar de permaneceres imóvel, caminhamos.

O que sinto

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A fonte oculta da vida e o desejo do ser. Dourado, segregado, previsto no fogo interior, em toda a coisa viva, em cada pensamento dado pelo impulso humano. A moeda do céu, a fortuna terrena, o dom mais raro e a felicidade de maior valor. A única que procura não uma falha mas cada pequena virtude. A única riqueza que não diminui com o uso. A única coisa com o poder de induzir a vontade do homem acima de tudo o resto. A única força a agradecer por tudo e a conquistar a mente humana.

Meteoro

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Ela não sabia para onde se virar – quando logo viu na profundidade de um porto; a luz solar brincava entre os seus cabelos. Ela apressou-se a apertar o sonho. Sentiu um estranho pulsar, uma nuvem um momento suavizou o olhar – passou – todo o flutuante ser ergueu-se num suspiro.

Como um meteoro, derrama-se o sentimento.

A parte

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Edward Hopper

Quando o amanhecer rosado surgiu em luminosa glória, quando a recente criação, como uma noiva, saltou para os braços da luz; o seu olho falou do puro sentir – ela olhou, sob o céu brilhante, o espírito do todo.

Ensaio da visão

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Um homem cego recuperado à luz, dificilmente pararia a olhar para uma flor e falaria da sua beleza. Apenas sei a revelação do olhar e a torturante delícia do seu sorriso. O seu menor movimento acorda-me o sangue. Ao olhar sinto nesse mesmo instante o alcance da alma humana em profundidade e altura, em êxtase e dor; tal é o que sinto.

Sonhar-te

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William Eggleston

Vem até mim nos meus sonhos, e então de manhã eu estarei bem de novo. A noite irá mais do que pagar o desesperado desejo diurno. Vem, como já vieste milhares de vezes, uma mensageira de climas radiantes, e sorri no teu novo mundo. Ou, como tu nunca chegaste de verdade, vem agora e deixa-me sonhá-lo real. Mexe-me no cabelo e beija-me a fronte e pergunta-me: Porque sofres?

E eu espero

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Ouço os seus passos na relva, o seu riso no vento nocturno – e eu espero para vê-la passar. Vejo nos seus olhos o cintilar do orvalho, suave, a sua forma de nuvem à deriva – e eu espero pelo seu toque.

Sinto o seu pulso no fluxo do rio, na chuva do verão que escorre e escorre, o seu respirar no vento perfumado – e eu espero pelo sabor dos lábios da Maria.

Que nenhuma estrela

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Que nenhuma estrela desça mas suba noutros céus; que o ascender solar se curve para incendiar de novo o núcleo do amanhecer; e que não se desperdice o que se sente; a mais profunda escuridão revela a mais estrelada esperança.

Espera VII

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Eu mergulhei na sua beleza como num rio. Como correu entre fogo e lágrimas a minha vida! Com que pulso bateu o sentimento! Mas o amor nunca se perde em resíduos cardíacos; as suas marés envolvem desertos onde nenhuma folha sobrevive e enriquecem o que se sente nas águas mais amargas e nas mais douradas areias.

Espera VI

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"Os olhos." Disse, "claro que é este sentir que os alimenta!" A prata que estremece com o seu pulsar, o ar onde ressoa a música - como, do profundo de uma noite de verão, algumas aves num súbito som borbulhante.

E a partir da beleza do cabelo dourado até ao extremo delicado dos dedos, estremece uma beleza fresca de milhares de nascentes: e de pé no lado exterior do pórtico, ansioso por desvendar mistérios, de sentimentos perfumados. Pela dupla chama.

Espera V

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Assim viveu e fortaleceu-se com os dias, iluminado por si mesmo, como um diamante vivo a arder na escuridão. Então chegou uma miragem do amanhecer: ela nadou na sua direcção em sumptuoso triunfo, voluptuousamente.

Uma graciosidade madura, serena, pendurada ao radiar do seu próprio movimento. O seu lábio pode libertar uma vida enrrugada. Os seus olhos são a omnipotência do amor.

Espera IV

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Adivinhei a tua presença for a de vista e senti a aceleração do sangue. Quando tudo estava negro no interior, chegaram os doces pensamentos como convidados especiais e o tecido nocturno sorriu com um raro prazer: enquanto, erguido de um amanhecer distante, se iluminava o rosto de todas as coisas, como a expressão onírica do sorrir.

Espera III

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E de pé na tua presença, quando o silêncio se deita como sono sobre o mundo, a sós com a noite. Estremeceram as estrelas, sorriram para baixo e leram-me o sentimento escondido, como incenso dobrado sobre um corpo.

Forte como o mar chegou uma onda de asas, estremeceram-me o interior e ressurgiram em mim: e a partir dos resíduos de locais escuros, respirou uma voz, "Ela vem." E toda a minha vida alificou a ouvir o teu chegar.