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A mostrar mensagens de outubro, 2009

À distância de um beijo

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Por razões serenas passamos algum tempo de porta aberta. Oprimem-se as mãos, é arriscado beijar, nem sequer olhar demasiado... Na noite fecha-se a porta. Estamos já, tu e eu, em campo aberto, partilhando o toque como algo precioso, oculto nas noites, com jardins sobre os joelhos, apenas tu e eu. A sombra enlaça os nossos corpos, a força de braços, o beijo insaciavel que se bebe a si mesmo e redime distâncias...

Aberta

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Que se feche essa porta que não me deixa estar a sós com os teus beijos. Que se feche essa porta por onde campo, sol e flores nos querem ver. Essa porta por onde a cal branca das colunas entra, a espreitar como crianças atrevidas, a timidez do nosso toque que não se dá porque a porta, aberta...

Meditações (3ª Via)

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Agora, existe apenas um homem que eu gosto de beijar de barba por fazer. Heterosexualmente! Aproximas-te inexoravelmente. (Como a encorajar melhor?)

Meditações (2ª via)

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Até as árvores me compreendem! Eu também me deito debaixo delas, não deito? Eu sou como um monte de folhas. Contudo, eu nunca me iludi com as maravilhas da vida pastoral, nem com a nostalgia de um passado inocente de actos perversos no campo. Não. Nunca é preciso sair dos limites da cidade para ter desejos de espaços verdes — eu nem consigo apreciar uma folha de relva sem saber que há uma estação de metro à mão, ou uma loja de discos ou qualquer outro sinal de que as pessoas não se arrependeram da vida. É mais importante afirmar o menos sincero; às nuvens é dada atenção suficiente tal como são e mesmo elas continuam a passar. Será que sabem o que estão a perder? Pois…

Amanhecer #3

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Espreitava-a, como um voyeur adolescente. Fechei os olhos com força. Coloquei-me assim, e beijei-a aqui, e acariciei-a ali, e também assim, e, à medida que tudo se sentia, e a via despida, encandeado pelo brilho do seu sexo profundo, negro, vertical, a dar-me conta de que esse peito magnífico, essa pele escura e brilhante, essas pernas que me entrelaçavam, se me destinavam, percebi a dimensão da minha fortuna. Fechei os olhos, amanhecemos.

Agora é um tempo

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Uma inquietude. Um galopar repentino ingovernável. Um tempo de amar.

Arrebatado

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O amor é uma embriaguez sobrenatural. É a delícia suprema. É sentir dentro do ser todas as tempestades e todas as alegrias. É viver uma vida fantástíca, impregnada de aromas. É sonhar doce à hora do crepúsculo e especiaria na calada meia-noite. É levar nas pupilas a tua imagem, no ouvido o teu sussurrar, e em todo o ser o arrebatamento do teu encanto.

Ad eternum

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Que surpresa o teu corpo! Ser tudo isto teu, poder ter-te sem sequer o ter sonhado, sem que nunca um ligeiro esperar o tivesse prometido. Os teus braços fecham-se à minha volta. O teu peito, o que suspira, estremece de coisas que ignorávamos, de mundos que o movem... O peito do teu corpo, firme e sensível que um beijo o atravessa. Tu não acabas nunca, tu não te apagas nunca. Aqui tens a chama, a que tudo alcança, para queimar o céu erguendo-lhe a terra.

Vento

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Igual a este vento, quero entrar onde descansámos os nossos corpos de verão; chegar; ser figura do meu pensamiento de ti, na tua presença; carne aberta ao vento, lugar de amor. Tu -quietude, lua em silêncio-, deitada no nosso quarto. E eu a entrar como água serena, inundar-te todo o corpo e, inteiro, cair assim por dentro, ver-te tremer, brilhar entre nós, incendiando-te no meu corpo, iluminando a minha carne toda, carne de vento.

A segunda lua

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Que o sol te atrai, que a terra também, que recebes a luz solar e a reflectes, estas não são explicações; não nos diz porque brilha o sol, porque à sua volta gira a lua à volta da terra; porque há uma luz que tem sombras, porque há o opaco e o traslúcido.

A primeira lua

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O que é a lua não o sabemos homens, artistas e escritores, que sentido tem o seu ser e o seu modo, a sua relação com a terra, a sua perseguição ao sol, e tantas coisas mais que dela ignoramos mas que apenas pode explicá-las o mistério.

Tudo

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Que bom voltar, falar-te, abraçar-te com o meu olhar, beijar-te, recordar, perguntar, viver agora que tudo importa tudo.

Derme

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Olha como fica a minha pele, quando te penso... Pela garganta sobe um rio de sangue fresco, da ferida que atravessa, de lado a lado o meu corpo. Vê como fica a minha pele. A alegria de te querer como te quero! Um amor que é sangue, lua, sol e vento. É viver a cada passo e continuar.

Luz

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Todo o mundo é luz e sombra. Mas a ele seguiu-o a sombra mais que a luz. A paixão, o amor e tudo o que mais sentia, momentos de uma sorte sem igual. Ela acompanha-o enquando anda, come, bebe, dorme, acorda, amanhece e a despe e se despe para que habite entre a sua luz.

Não é segredo

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Quando a forma das árvores já não é senão a recordação da sua forma, uma mentira inventada pela memória do Outono, e os dias têm a luz da eternidade, algo nos recorda a verdade que amamos antes de conhecer e o silêncio revela-nos o segredo que queriamos ouvir.

A ti

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Encadeados a outros olhos, presos por um sorriso. Abraçados no ar, nem sequer escutam o coro que repete: Nada me basta. Tudo me sobra. Só te quero a ti: desnudados.

De chuva

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Chove... espera, não durmas. Fica atento ao que diz o vento, e ao que diz a água que golpeia os vidros. Espera, não adormeças. Escuta o ritmo da chuva. Apoia entre os meus seios a tua cabeça.

Óbvia

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A personalidade apenas se desenvolve através do contacto com outra personalidade. Esta iluminação e despertar, entre pensamento e pensamento, entre vontade e vontade, é a maravilha óbvia da nossa vida.

Digo

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Que digo? Não está o que sinto impresso em todos os objectos que me rodeiam? Não está escrito na minha face, nos meus olhos, em todas as minhas acções? As minhas palavras, os meus suspiros, até o meu próprio silêncio, aquele silêncio tão profundo, não expressam os meus afectos? O ar, o ar do que sinto, dos meus desejos; o ar, sim, tantas vezes ferido pela minha voz, elevou-os até ao lugar onde ela mora.

Só a noite

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Só a noite. A placidez errante da nebelina. A solidão sem fim das estrelas. Voa um rumor distante, coalha-se na sua voz. Bosques de copas exactas, horizontes acima no seu incerto limite de tronco e pedra, a solidez das sombras. Nem a lua, nem a estrela viva. A gravidade do silêncio grava no granito o voo da noite.