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A mostrar mensagens de Março, 2011

Dito

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Diz o que sentes, outra e uma vez mais. Não tenhas medo, nunca me irei cansar de ouvir as palavras. Esperava há muito por esta reverbação; um som pulsante, primordial, sobre quem aguarda. Cresce o sentir, enquanto caminhamos ou dormimos, em prazer ou dor. Inunda cavernas íngremes, sobre resídous arenosos quentes até às rochas empoleiradas. Até o planeta renascido nos acolhe.

Apenas um

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E ele foi. Ela chorava.

Ouviu-se em voz suave... "Pensavas que era um homem o que precisavas. Mas ele colocou-te numa prateleira a definhar. Pensavas que era um amante o que precisavas. Escolheste um amante que te usuo como degrau em direcção aos desprezados muros da sua vida. Não, não é um homem o que tu precisas, não um homem que não te entenda sem esforço nem o queira ter. E não é um amante o que precisas. Um amante como uma vela de cheiro, iluminando e perfurmando a tua vida por uns momentos, deixando-te depois a tarefa de lidares com a escuridão.

O que realmente precisas não é apenas um homem, apesar de ser essa a designação comum. Não é apenas um amante, apesar do que sente por ti. Será ele, com quem te completas em apenas um."

Abismos opostos II

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Agarrou as suas mãos, tocou os seus lábios nos dela e disse "Faço esta promessa: quando precisares de mim, chama-me. Eu virei para o teu lado. E todas as noites irei voltar, polir cada arranhão, corrigir todas as falhas que a vida colocou em ti. Irei deitar-me contigo a aliviar a tua dor. E quando o abismo se for, quando a eternidade for nossa, colocarei o teu presente em lugar de honra para que o mundo possa ver e compreender o que sinto por ti, o que és, a tua vida.

Eles irão perceber que tens finalmente o sentir merecido."

Abismos opostos

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A luz suave dos seus olhos e a água salgada no rosto, trazendo vida e beleza onde antes havia desolação. E lá estava ele, ao seu lado. Perdeu-se nos seus olhos enquanto ele se colocava entre mãos. "Leva-me," ela começou a chorar, mas um toque nos lábios sufocou o grito na garganta.

"Colocaram-nos em lados opostos de um abismo."

Tempo

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Sazonova Ksenia

O tempo parou enquanto ela observava. O dourado foi arranhado, marcas de dor na sua vida. Desaparece cada uma delas sob a sua atenção, cada parte amolgada puxada e esticada de novo, cada arranhão polido.

Tempo, ele parecia ter tempo sem fim, enquanto ele se concentrava em cada falha, uma a uma, as lágrimas à medida que compreendia o significado de cada dor, depois apagava-a com as suas próprias mãos.

A anos de negligência

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Olhou para ela. Ele percebeu. Ela adormeceu.

Ela acordou e viu-o ali com a caixa de ferramentas ao seu lado. Ele estava a um milhão de quilómetros de distância, do outro lado do oceano, e no entanto parecia ainda estar ali ao lado dela. Ela espreitava as mãos que traziam de volta a maravilha, que faziam desaparecer todos os anos de negligência.

A caixa, o seu presente II

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Sentou-se ali a chorar, o seu soluçar tocava todas as fibras do que sentia. Dentro da caixa, o seu presente, o seu desejo, a sua necessidade. As sementes da sua humanidade. Aventurou-se em direcção à luz solar, sentiu o cheiro das árvores, a maravilha dos animais atraídos pela beleza.

Mas a sua caixa era cor de cinza, coberta por anos de negligência, as sementes caídas em terra árida. Um sentimento em hibernação. As lágrimas traçavam linhas sobre a sua face.

A caixa, o seu presente

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Viu-a sobre o abismo da eternidade, sentada sob um enorme carvalho. O seu corpo envolto em chiffon negro, os seus joelhos para cima, o seu corpo embalado sobre a caixa. A caixa… o seu presente.

Não apenas amigos

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Algumas pessoas pensam que os amigos devem ser apenas amigos; tentar mais pode arruinar o que têm. Eu acho que o melhor amigo é aquele que amas, com quem partilhas as palavras e os lábios e as mãos. Um toque revela o que se aloja por trás da mais elaborada máscara. A revelação vale bem mais que o risco.

Sejamos amigos, agora libertos para falar em todas as línguas do toque. Que se afogue a angústia com um beijo e sinta-se a felicidade no rosto.

Blue Valentine IV

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O que procuras depois de teres possuído tudo o que era dela? Pensas que é o seu amor mas o que tu procuras é a sua negação. A fome, o querer, é a única dor que ela não te poupará – e infelizmente, também isso irá morrer.

Blue Valentine III

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É aquilo que sentes de carne ou de espírito? Apenas sabes que para ti os seus olhos são tudo o que és. Passaste fome para conhecer os seus lábios, no entanto o teu ser não morrer de vontade.

Apenas os sonhos são reais e a satisfação uma ilusão. Há apenas uma realidade, os teus braços a tentar alcançá-la e a névoa que carregas dentro de ti, não o calor de uma criança sonolenta.

Faminto, seguras os sonhos.

Blue Valentine II

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Iria fazê-la sentir, que ela pudesse desejar, o desejo. Para ela a beleza era uma vela gasta e a esperança uma ave cega, a amizade um curioso mito e o amor uma folha em branco, sem qualquer tipo de significado nem qualquer realidade.

Apenas o cansaço era seu: gostaria de fazê-la sentir, e que ela o pudesse possuir, o desejo.

Blue Valentine

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Os seus olhos que mendigam, mas que não irão morrer de fome nem adormecer frios sob o céu se não receberem algo dela. Há pessoas que vivem uma vida caridosa e que acabam com os próprios filhos a pedir pão.

Silêncio IV

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Em luz e sombra, tranquilidade e conflito, passam as águas, foram, como as esperanças e medos da vida. Irão rir-se as ondas, chorar e gemer sobre o oceano de passagem, deixando um tom sobre o bater cardíaco a assombrar a reunião silenciosa.

Silêncio III

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Nenhuma palavra foi dita mas de lá veio, através dos silenciosos pensamentos, cobrindo a falha de significado. Através da tranquilidade alongada, como a noite com todos os seus contornos prateados.

Perto dos seus pés, caminhos rochosos abaixo, a luz dançava sobre a água. Uma tensão estranha, agora uma medida selvagem, a canção do mar, o refrão aquático, misturando dor com prazer.

Silêncio II

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Encontraram-se em silêncio, olhos nos olhos, emocionados perante a sua história; o tempo traçou o caminho correcto, cada mensagem escrita a prata nas folhas, em campos de sombra e brilhante escuridão.

Mesmo na ausência da luz pressentiu-lhe o sorriso e agarrou o seu abraço. Dois seres em silêncio e uma lição repetida; encontram-se e misturam-se como se encontram luz e sombra.

Flutuação

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Escuto apenas o sussurro das folhas íntimas; o furtivo deslizar dos ramos pelo ar lento. Vejo apenas parte do teu queixo ao sol. A luz solar vai-se abatendo sobre nós em silêncio.

Agora, sobre as laminas de relva e encontro mãos brancas entre o verde. O teu rosto floresce entre folhas caídas. O solo agarra-se a ti, ergues-te, exalando terra, inspirando céu, toco-te e seguimos à deriva.

Estamos sós numa imensidão solar, particulas de uma infinita radiância, largadas de cataratas e correntes silenciosas. Dá-me as tuas mãos! Flutuamos.