A caixa, o seu presente II



Sentou-se ali a chorar, o seu soluçar tocava todas as fibras do que sentia. Dentro da caixa, o seu presente, o seu desejo, a sua necessidade. As sementes da sua humanidade. Aventurou-se em direcção à luz solar, sentiu o cheiro das árvores, a maravilha dos animais atraídos pela beleza.

Mas a sua caixa era cor de cinza, coberta por anos de negligência, as sementes caídas em terra árida. Um sentimento em hibernação. As lágrimas traçavam linhas sobre a sua face.

Comentários

Maria disse…
Ouves, meu amor, a água que brotou
no côncavo da pedra que a tua mão marcou?

Ouves, meu amor, o passo do veado
correndo no caminho que só por nós pisado?

Entendes, me amor, a voz que fala agora
do tempo que esperou, da lenta e só demora?

Já era onde nós somos a nossa paz presente.
Só nós entrámos nela e agora é que sente.

Pedro Tamen

Assim contigo.
Tudo,
Damien disse…
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

[Florbela Espanca]

Bem perto de ti.
Contigo.

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