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A mostrar mensagens de Dezembro, 2010

Lábios

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E então abriram-se os lábios para murmurar palavras sem fim, com as quais pareciam cantar, como a voz de pássaros distantes, e, erguendo-se como o eco de coisas sonhadas, tremeram nos lábios, estáticos, quentes...

Apenas conseguíamos sorrir, e nada dissemos.

Despertar

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Às vezes o meu cabelo passa pela sua face, as nossas mãos entrelaçadas com o toque que as fez tremer, lágrimas que aguardam entre pálpebras, estamos preenchidos por uma estranhafelicidade que não nos deixa falar.

Rimo-nos e segue-se um silêncio, ouvimos um bater de asas por detrás de árvores antigas, um ruído dourado sobre verde, uma quente sonolência.

O que sinto II

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Eu sinto o que a suave melodia acompanha, onde flores, brancas e carmim, competem entre aromas. O que eu sinto… como podem as frágeis expressar, ou o olhar, o som, ou qualquer coisa, o ano inteiro de primavera a primavera, cada estação cantada, aquilo que sinto por ti?

A favorita

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Eu sinto o que o céu expressa por via crepuscular, o tempo da primeira estrela, o sentir luminoso, flores distantes, o brilho onde se vê o esplendor solar de todos os nossos anos.

Eu sinto o que a respiração dos ventos expressa, quando, entre sorrisos madre-pérola, começa a maravilha de um amanhecer que cresce até ao milagre matinal.

Os noivos

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O céu tem uma música sempre nova; tu e eu encontrámos a selvagem e assustadora melodia de tempos agitados – Completa-se com o aroma da felicidade sentida, lágrimas agri-doce e o sorriso de uma noite assombrosa.

O que promete o dia de amanhã? "Pés a percorrer caminhos que chegam a um milhão de mundos de distância."

A terra

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A terra tem uma música tão antiga como ela própria; e tu e eu, por um breve momento, enquanto se lança o amanhecer, encontramos asas que nos elevam e ouvimos a sua voz, em cadências corais sobre mares para além da cartografia. Anima-se o vento, cantando notas sentidas.

Inquilino

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O amor nunca morre, apenas fica posto de lado embaciado por anos de vida. Vive tranquilo em profundidade, à espera do tempo, à espera de renascer. Precisa de ser abraçado, precisa de gritar, de ouvir sussurrar ao ouvido aquilo que se sente.

O amor nunca morre, é nosso inquilino.

Amar chega (para a minha irmã)

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Mutsumi Makino

Amar chega: apesar do mundo minguante e da floresta não ter voz tirando a de quem reclama, apesar do céu escuro demais para ser descoberto, apesar das sombras presas aos montes e da maravilha em mar alto.

Este dia retirou um véu sobre todos os nossos actos, no entanto as suas mãos nada tremem, os pés não vacilam; o vazio não deve assustar, o medo não deve alterar esses lábios e os olhos do amado e de quem ama.

Delícia

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Dormindo entre os golpes nocturnos, vi-te debruçar sobre a nossa cama, com a garganta nua feita para morder, quente demais para empalidecer, uma cor perfeita sem branco ou vermelho. E abriram-se os lábios, disseste – não compreendi senão uma palavra – “delícia.”

A não razoabilidade de se deixar estar III

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Gerhard Richter

Um aviso desdenhado, um perigo desprezado, a folha caída, o leme partido. "Um naufrágio ou dois não é doloroso. As minhas asas estão secas."

"És terrível, tu" disse-lhe a razão, franzindo a testa. "Que importa se te magoares? Vou rir-me a ver-te afogar." Responde ele de olhos arregalados, "Sabes que essas são palavras de traição; porque alguns eleitos preferem um afogamento por amor do que nadar pela razão."

Depois, erguendo-se do seu barco naufragado, sorrindo enquanto o seu mentor quase chorava, "Não te queixes por sentir dor, é uma consequência lógica da procura." Derrotada a razão, beijou-lhe a ferida.

A não razoabilidade de se deixar estar II

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C. Searl

"Mantém-te longe das rochas, elas iludem os estranhos." Ele respondeu, "Uma trégua as factos estúpidos, eu antes prefiro o perigo. A corrente é suave, o céu está limpo, porque vens tu medir as profundezas cristalinas através das quais rumo para um mar sem limite?”

"Eu antes prefiro a rebentação do que ancorar fora destas rochas de xisto a ouvir-te moralizar." Assim, segue as fortes correntes, acenou à razão, para onde essas águas luminosas o levam assobiando sobre rochas.

A não razoabilidade de se deixar estar

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Foi navegar sem medo em cima de uma folha de lótus, apesar da razão lhe ter dito, "deixa-me orientar-te ou vais passar mal." Riu-se para a ansiosa razão e respondeu, "tu pareces-me muito em baixo. Vai, caminha antes pela margem, eu rumarei a minha própria canoa." E assim a razão, arrastando-se à margem, a observá-lo na frágil embarcação, pensava "apesar da caminhada desinteressante, o barco é arriscado. Irás naufragar."

Ele despediu-se, "espero encontrar-te no meu destino, um dia mais tarde."

Montes

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O que se sente deve ser o primeiro e o último, a parte, o todo; deve preencher o vazio humano como o oceano enche os seus canais mais amplos, antigo como os montes.