A não razoabilidade de se deixar estar III


Gerhard Richter

Um aviso desdenhado, um perigo desprezado, a folha caída, o leme partido. "Um naufrágio ou dois não é doloroso. As minhas asas estão secas."

"És terrível, tu" disse-lhe a razão, franzindo a testa. "Que importa se te magoares? Vou rir-me a ver-te afogar." Responde ele de olhos arregalados, "Sabes que essas são palavras de traição; porque alguns eleitos preferem um afogamento por amor do que nadar pela razão."

Depois, erguendo-se do seu barco naufragado, sorrindo enquanto o seu mentor quase chorava, "Não te queixes por sentir dor, é uma consequência lógica da procura." Derrotada a razão, beijou-lhe a ferida.

Comentários

Maria disse…
Estão envolvidos em corpos negros vermelhos por
dentro. Estão num barco sobre o mar e o mar é
negro. É de noite. O céu está negro e sobre a
água negra tudo é vermelho por dentro.

E nos corpos a água negra era vermelha por dentro
e eles estavam envolvidos
e

[Ana Hartherly]

Contigo.
Sempre,
Damien disse…
Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendidas
e oculto fogo.

[Pablo Neruda]

E sempre contigo,

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