Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Estudo energético


A energia condensa-se sob ti, preenchendo o pulsar venoso da terra. Sonhas de novo o oriente, já longe dos presságios graves de gente estúpida.

Para a noite, os imortais são também coisas passageiras.

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Estudo II


A água devolvia a imagem de uma mulher e, junto às suas raízes, homens como musgo. Ergueu-se de novo, a luminosidade aumentou. Cheio de oportunidade, cheio de equações, ela junto a um rio cujo caminho congela no Inverno e te permite derreter ciclicamente.

A maravilhosa mente desgastada, atormentado com o que há de magnífico de acordo com as constelações.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Estudo I


De uma beleza grave, amantes que escrevem os seus nomes na noite, conversam em profunda escuridão, recebem novidades da maravilha e dão um passo em frente.

Viste em tempos a guerra elementar onde domínios contrários procuram a possessão. O olhar enigmático de quem dispara. Exércitos enormes, homens de pescoço suave abrigados, o colapso dos tronos e as reuniões das massas.

Tu és o reflexo do nosso estudo sobre a existência.

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Não aqui


Tenho vagueado para lá da charneca e visto o território estender-se em encostas de pedra e resíduos de verde. E vi colinas distantes permanecer no crepúsculo, nuvens purpura e ainda o limite do mar. Ouvi pássaros sobre mim e vi-os voar perto.

Vacilamos entre sorrisos e lágrimas, em perfeita tranquilidade – até que o tempo esteja pronto.

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Natural de qualquer parte III


Pisam a floresta escura, cuja primitiva disposição desde sempre projecta a sua sombra; ponderam a corrente e as marés do oceano, observam as variadas formas de vida que os rodeiam: as aves que assombram florestas e planicies, os peixes que nadam, os mares, os rios, as correntes e os ângulos das suas margens; espreitam a vida que decorre o espaço e o seu tempo.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Em consciente natureza


Quem lhes vai contar do arrebatamento que acorda alguns homens? Que lhes irá explicar pacientemente, eles a prestar atenção, e responder de novo?

Renova-se o olhar líquido do céu, enquanto o homem passa. Entre o seu arrebatamento nenhum impulso será apressado. Nunca é uma língua comum, nunca uma palavra comum. Com a destilação pura do sentir no teu copo, onde o derramas?

Apenas um momento, em todo o tempo embriagado de mudança, para nos retirar o carácter de estranho. É esta a dor e este o prazer – o agridoce que o homem drena: a consciente natureza em que permanece.

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Vaga lume II


A mais vulgar das ervas em alguma fenda escondida tem nos seus estreitos limites a mesma força que controla a maior das árvores e as aumenta, ano após ano, folha, galho, ramo, até à sombra em que os animais se guardam em dias de Verão. Ergue-se aqui uma árvore em miniatura, erguendo pequenos ramos em direcção ao céu, expondo-se ao sol matinal, surgindo fruta e sementes que crescem sobre a decadência de outra.

Tira apenas a luz, perdem-se o conforto e os amigos no labirinto de uma noite sem estrelas.