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A mostrar mensagens de Março, 2010

A minha vida I

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É luminosa a minha vida. Não mais brilhantes são os raios que douram as distantes montanhas a Oriente, nem corantes mais ricos em todo o oeste; brilha enquanto o dia se afunda para descansar após o trabalho terminado.

É elevada a minha vida. Não mais alto dormem estrelas em profundo azul; nem mesmo o orbe lunar que varre o céu, nocturno, em passos silenciosos.

Os homens vivem

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Os homens vivem, os sonhos apenas mudam as suas casas. Eles não podem ser alinhados contra uma parede, enterrados discretamente no solo, e ninguém mais ouviu falar... Por muito fundo que for o poço e empilhado esteja o barro – como sedimentos de velhos tempos que cobrem uma flor sagrada sob glaciares – os homens caminham em direcção à luz.

A prova

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Eu retirei-me para a floresta, e as minhas palavras foram engolidas pelas folhas; e um dia chegas tu aos seus limites (era isto por que esperava), permaneceste ali contemplativa mas não entráste, apesar de ser forte o desejo: abanaste a cabeça como quem diz “não me atrevo”.

Eu espreitava-te atrás de ramos baixos, desfiz a angústia de não te chamar e disser-te “estou aqui”. Estou perto, acordei com a floresta e tu aqui és a prova.

Ao sonhar-te

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Às vezes sonho com os teus olhos sobre o meu rosto, e sinto os teus dedos a tocar suavemente o meu cabelo... e quando acordo todo o lugar se parece encher com a tua presença real.

O que é um sonho? Não muito, dizem eles, uma visão idílica. Bem, talvez tenham razão mas ainda hoje, com todo o mundo varrido pela dor, o sofrimento deixou de o ser ao sonhar-te.

Sinto-te comigo, de mãos entrelaçadas.

A seguir

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O mundo já dormia há muito, a terra estava fria e cinzenta, ouvia o som dos meus passos a ecoar e a voz das árvores. Não importa se o caminho se fez rochoso, estreito, ingreme; eu continuei a perseguir-te, a visão da beleza de tudo em ti, o profundo e absoluto êxtase.

Corri entre silêncio orvalhado, sem pensar no que ficava para trás. Era apenas um sonho e desvaneceu-se ao nascer do sol. Apenas um sonho. Acordo, sigo o amanhecer que me leva até ti.

Lentidão

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Lento, mas seguro, vem ele. Quase podemos sentir a sua respiração, e as flores da terra cedem as suas vidas sob o seu calcanhar gelado. Baixou a cabeça e as folhas cairam mais rápido.

Molda-se uma nuvem, a brisa é fria a afiada. Fevereiro, encurta o teu reinado e leva-te embora; se o Inverno deve morrer, que ganhe balanço o alegre Verão.

A pelar

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Subitamente vimos que a neblina se encaracolava nos montes; o mundo parecia expectante e à escuta. Então, aqui e ali, uma folha amarela; agora num mundo de folhas caídas, as chuvas sombrias de final de Inverno começam a pelar.

A caminhar II

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Pode partir o sonho; no domínio da alegria desvanecida, gentilmente, alguém deixa um resto de esperança. Ponderei sobre as palavras escritas, "A perda da beleza nem sempre é uma perda." A voz do que sentia acalmou-me a dor e deu-me força para continuar a caminhar.
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Andei sozinho no interior do bosque; os fenos murchos já não perfumavam o ar. E folhas incontáveis sob os meus pés, nas quais o Verão escreveu a sua despedida.

A solidão de cada local; a melancolia; toda a natureza suspire, disse eu. Um Fevereiro selvagem arrancou algumas páginas do seu livro. E, de repente, um bando de aves selvagens, uma tensão estranhamente nítida e doce parece devolver os céus de Março e acordar flores adormecidas.

Esta tarde

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Esta luminosa tarde de Setembro, o meu corpo está bem acordado. O ar vivo presente a queda do Verão em breve. Apenas a melodia inexplicável do vento.

O meu corpo está bem acordado. A caminho, observo copas das árvores em contráste de azul celeste; tremem alguns ramos amarelados, tonalidades de verde seco. Digo para mim próprio: “se ela voar, de bom grado eu desapareço também.” Mas estavas lá à minha espera.

Do imperturbável livro

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As sementes de maçã são negras no núcleo. Aninha-se o Inverno na terra. Dias generosos de Primavera a caminho, e noites de amplo luar. O amanhecer mancha o céu a leste, flutua no rio um véu de gaze.

Sentimo-nos como uma página arrancada do imperturbável livro dos sonhos.

Ouves?

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O Inverno respira ar frio – a beleza de morrer quieto – . Poderia surgir a visão de florestas pintadas, acompanhando a mudança na luz. A morte pode não ser tristeza para a folha de rebordo alaranjado.

Símbolo dos meus dias fugazes, verdejantes, frágeis e breves: a folha dourada. A ainda mais bela idade. Ouves a brisa errante, o sussurrar da primavera?

A estrada

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Vamos por aquela estrada, tu e eu, vamos juntos por ali. A vida esperou por nós. Vamos descer a estrada, tu e eu – e, se estiveres assustada, os meus braços irão sossegar-te –.

A Primavera é época de paixões? Só a Primavera? Só paixões? Que vista curta têm as pessoas que decidem não caminhar. Vamos, algo bem mais profundo chama por nós; seguimos a estrada, eu e tu.

Chuva de Inverno

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Há uma voz triste na chuva de Inverno; que acompanha o ritmo da queda lenta. O vento canta ao respirar, parecendo um mensageiro que sussurra à medida que as copas das árvores se inclinam. O que dá tal tristeza à chuva? A chuva de inverno; soluços de um coração em dor. Saberá que as suas gotas morrem frias no chão? Sabe que a beleza acaba por desparecer? Então diz-me, porque é esta chuva de Inverno uma chuva triste? Será por suspirar o partir do Verão e pelas flores mortas?

Claro que a chuva de verão tinha um tom alegre, um tom de riso; as flores olhavam para cima quando caía e as gotas que caiam nos olhos brilhavam como lágrimas, como lágrimas de alegria.

Resposta

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As folhas caídas, as folhas que passam e que submergem para morrer. As folhas velhas, as esperanças do ano passado, as mentiras.

Responde o vento; elevam-se os ramos despidos e inunda-me um sentir, calor e chama: o despontar da flor, a folha nova, o rebento. Não se trata de esperança, mas apenas de vida.

Entre montes IV

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Colhemos frutos abundantes, aqui, entre nós. Sou feliz a cada olhar e profundamente agradecido pela tristeza afastada.

Derrete-se o ar em lenta cadência. Caminhamos a passo certo por entre montes enovoados. Chegamos, inclino-me sobre o teu peito, faz-se silêncio: a terra adormece.