Andei sozinho no interior do bosque; os fenos murchos já não perfumavam o ar. E folhas incontáveis sob os meus pés, nas quais o Verão escreveu a sua despedida.

A solidão de cada local; a melancolia; toda a natureza suspire, disse eu. Um Fevereiro selvagem arrancou algumas páginas do seu livro. E, de repente, um bando de aves selvagens, uma tensão estranhamente nítida e doce parece devolver os céus de Março e acordar flores adormecidas.

Comentários

Maria disse…
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço
e penso que vou dizer algo cheio de razão...

Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.


[Herberto Helder]

Sou, contigo.
Tudo,
Damien disse…
vem deitar-te comigo no feno dos romances
para que a manhã não solte o ciúme
e de novo nos obrigue a fugir....
.... vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras....
.... iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias...

[Al Berto]

Sou, contigo.
Tudo,

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