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A mostrar mensagens de Setembro, 2010

Somos música

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Dedos hábeis sobre músculos cardíacos, em unissono compondo as notas de quem ama, estremecimentos de intensidade superior a tudo o que já havia sido escrito. Uma base sólida, desliza o som emitido por uma única clave, repousa por um tempo entre os peitos que se tocam... dissipando-se então distituído.

Ansioso, conduzido ao limiar das mãos e das formas entrelaçadas, entrega-se, o corpo treme e rende-se ao delicioso e grave instinto.

Este mesmo

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Este mesmo sentir de que me orgulho, e o qual, ao subir-me do peito ao olhar. Este mesmo sentir, todo o meu valor exponenciado. Assim mesmo, nada mais consigo dizer além do que sinto do que o ter como o melhor de mim: o teu ser elevou o meu.

O amor preciso

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Se precisas de me amar, que seja por nada excepto e apenas pelo sentir. Não digas “Amo-a pelo seu sorriso, olhar, a sua maneira de falar, por um pensamento que se encaixa no meu e que traz uma sensação de tranquilidade” — pois estas coisas em si mesmas podem ser mudadas, ou mudar por ti — e o amar, assim sentido, é assim em forma bruta, pura. Ninguém ama por pena ou para secar lágrimas, uma criatura pode até esquecer-se de chorar para prolongar o seu conforto e perder assim o que sentia.

Mas amar por amor, garante a sua eternidade.

A sua recusa

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Se é amor, a respiração cansada de pintar inundações até à costa, o olhar descaído ainda a ler sobre a terra os tristes memoriais de amores deseperados; se é amor, lutar contra nós mesmos, deitar e chorar, erguer o pesar, a pedra que nunca descansa, ainda a reclamar arrependimentos apesar de nenhum alívio; se é amor, vestir-me de pensamentos negros, assombrar caminhos inexplorados para chorar longe; o prazer do horror, música de notas trágicas, lágrimas nos olhos e arrependimento no peito.

Viver uma morte viva, então para quê respirar? Se isto é amor? Não, é a sua recusa.

O que muda

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Se ela é mutável, se dúvidas crescentes procuram o seu lugar, eu conjuro-as para que não se movam por detrás do seu rosto. Deixa-me questionar-te, enquanto ainda pisca a dúvida, uma luz líquida de azul fugaz, a ver se ela deixa os olhos, brinca á superfície ou os atravessa.

Em cada palavra deixa então aparecer o sorriso, modesto e adocicado.

Acaso

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Sonhei com o teu rosto, uma noite, quando o céu parecia descansar contra a conturbada febre terrena; sonhei com aves em voo. Sonhei com um perfume espalhado em toda a parte, e um som de canto distante – e então – sonhei o teu rosto.

E eu acordado de um sonho, (a madrugada ainda rastejante fria e nua) o sol nascente de pálido raiar, pois a sua chegada não te encontrou aqui. E eu – levantando-me em desespero, como alguém cuja sede não foi saciada; eu sonhei o teu rosto, um admirável mundo, e acordei. Ali estavas, e eu vivo no teu rosto.

O sentir e o modo

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Porque te amo? Deixa-me então contar. Eu amo-te em profundidade em largura e altura, quando estou fora de alcance pelos confins do ser e do ideal. Amo-te ao nível da tranquilidade de todos os dias, ao sol e à luz trémula de uma vela. Amo-te livremente. Amo-te com a paixão posta em uso. Amo-te com um amor que julgava perdido, amo-te ao respirar, sorrir, chorar, viver. E, podendo fazê-lo, amo-te para lá da morte.

Escuta

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Masao Yamamoto

Silêncio. Na íntima escuridão nada se ouve, apesar de te apoiares na extremidade do pé.

Penduram-se as estrelas na macieira, o vento sul transporta um aroma marítimo. Este noite é para ti, é tua. Escuta. A dança das folhas invisíveis, um pássaro sonolento no beiral.

O que dizem

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Os seus olhos dizem sim, os seus lábios que sim. Diz-me, devo acreditar nos lábios ou nos olhos? Aposto no olhar não disfarça, ou nos lábios que tremem, o caminho a seguir. O que sentes pode ser por lábios prometido, embora a verdade de um olhar insurrecto possa negar o armistício destes.

Mas podem os olhos apaixonados dissimular, ou lábios falsos tremer, este “sim, quero tudo”?

Canção de Setembro

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Ainda perdura na memória a pressão suave dos teus dedos entrelaçados. Nem a escuridão, nem o adormecer, apaga o conseguido; esta voz foi abafada em silêncio ininterrupto – estas mãos estão agora curvadas em profunda tranquilidade.

Os teus passos podem ser lentos, aproximando o fim da peregrinação aqui; e ainda o recital de uma pequena história, como chuva no deserto. Não importa que tesouros, de Setembro a Setembro, que sorte respondeu à tua chamada – a mente pode esquecer, mas o corpo irá lembrar o mais brilhante sentir.

Aroma

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Gregory Colbert - Ashes and snow

Quando a vida arde até cinzas – um fogo que rápido desvanece – a cabeça pode esquecer, mas o tronco irá recordar as delícias profundas dos dias passados. A devoção inabalável, ilimitada, os seus sorrisos e as suas lágrimas; nenhuma tempestade a desfez.

Uma visão de beleza que o tempo e as suas sombras nunca eclipsaram – regressa no crepúsculo, de olhos macios, e desafia-te outra vez com um toque dos seus lábios. Encanta-se o mundo, o convite de um palácio construído acima da terra; bebes o copo de vinho estendido e aromatizas a vida.

Os dias que restam

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As esguias mãos tão suaves, as mãos que tocam aqueles que nascem em determinada noite de vinho brindado e flores evanescentes; as mãos que eu beijo, até ao extremo de cada dedo e delicadamente em redor de cada pulso coloco uma pulseira com os meu lábios; as suaves mãos, minhas por todas as noites que restam, com aquele prazer da descoberta de outras terras, as tuas mãos, minhas pelos dias que restam.

Presença

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Vê, flores, galhos, frutos, folhas que eu trouxe, e então o meu corpo que apenas por ti estremece; com essas tuas mãos suaves, não chores, mas deixa o que sentes prosperar nos teus olhos. Ainda não secou o orvalho sobre o meu cabelo – sinto o vento frio matinal. Aqui ao teu lado, ainda cansado, a sonhar a hora em que nos dissolvemos. Deixa que a minha cabeça, onde ainda soa e ecoa o teu ultimo beijo, descanse sobre o teu peito, até recuperar da emoção tempestuosa – e deixa-me dormir um pouco, descansa.

Ausência

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É pequeno o valor da beleza da luz aposentada: diz-lhe que se chegue, ela sofre por ser desejada e não se envergonha de ser admirada. E morre então – o destino comum de todas as coisas raras pode ser lido nela; tão pequena foi a parcela de tempo partilhado.

O deserto do mundo

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Vai, diz-lhe que desperdiça o seu tempo, que agora ele sabe, que eu também sou assim como ele parece ser. Diz-lhe que ainda é tempo e que ainda é muito novo para espiar erros cometidos, que saltaste em desertos que os homens evitam pisar, e de onde regressaste renascida.

Eu que digo

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Como parece vazia a cidade agora que foste. Um deserto de ruas tristes, onde as magras paredes nada escondem a desejar; a luz solar cai distorcida, tombam caras mortas em salões de pedra. O zumbido dos motores flutua a intervalos; mas todo este ruído esconde um longo gemido.

O que vale a pena perseguir? Como é estranho que outros homems sigam uma vida acustomada. Eu odeio o seu interesse nas coisas que eles fazem. Uma horda de espectros a repetir sem mudar uma velha rotina. Sozinho sei que os dias continuam a nascer e que o mundo parou, sem ti.

Não era assim

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Não era assim o que antes chegou; algumas chuvas de verão quentes e suaves, algumas piscinas para mergulhar em felicidade artificial. Claro que me refrescaram a visão do que queria alcançar, mas falharam pois não eram elas o destino. Falharam porque nunca entraram em mim como tu.

A verdade é que sempre lá estiveste.

O rio

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Quem provou néctar evita o vinho; eu pensava já ter amado antes mas, desde que senti os teus lábios nos meus, sei que era outra coisa qualquer. Há apenas um para cada entre a humanidade que apenas os afortunados se encontram.

O beijo

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O primeiro beijo, ela apenas beijou os dedos desta mão com que escrevo; e desde então, tornou-se mais limpo e branco. Lento nos cumprimentos globais, rápido na sua “lista” de que falam os anjos caídos. Um anel cujo uso não se necessita. O segundo beijo ultrapassou em altura o primeiro, pediu a face, e quase falhou, caindo metade sobre o cabelo.

O terceiro curvou-se sobre os lábios num perfeito tom cereja; desde então, o prazer ao poder afirmar “minha vida.”

São as flores escolha do Inverno?

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São as flores escolha do Inverno?

Ela parecia ouvir a minha voz sussurrada. Nunca tinha visto uma face assim e fiquei quieto a espreitá-la. O meu sentir tinha deixado a sua morada e nunca mais regressaria sozinho.