Acaso



Sonhei com o teu rosto, uma noite, quando o céu parecia descansar contra a conturbada febre terrena; sonhei com aves em voo. Sonhei com um perfume espalhado em toda a parte, e um som de canto distante – e então – sonhei o teu rosto.

E eu acordado de um sonho, (a madrugada ainda rastejante fria e nua) o sol nascente de pálido raiar, pois a sua chegada não te encontrou aqui. E eu – levantando-me em desespero, como alguém cuja sede não foi saciada; eu sonhei o teu rosto, um admirável mundo, e acordei. Ali estavas, e eu vivo no teu rosto.

Comentários

Maria disse…
Tu poderás captar o esplendor
chamar-lhe-ás suave sob um sono de árvores.

Caminharás entre as plantas. Sentirás a sua sede.
e o olhar abrir-se-á...

[A. Ramos Rosa]

Assim mesmo. Eu estava lá e tu olhaste para mim.
Contigo,
Damien disse…
Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo ---
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

[H. Helder]

Tu és a fonte.
Assim mesmo.

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