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A mostrar mensagens de Julho, 2010

Da velocidade

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Desde que ficou sob a vontade terrena chamei-a minha, entreguei-lhe a vida, a quem amei. Registo neste livro cada parcela de raridade.

Tão perto do solo, a sua sombra desenhada nas cortinas. Não adormece, ultrapassa o seu destino: a idade do corpo que inunda o quarto, o meu sentir preenchido, o nosso leito. Fica aí: não falharei o encontro e não chegarei atrasado, já estou a caminho, sigo á velocidade que o desejo alimenta.

Aceita

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Aceita, tu és o meu santuário. A minha missão tem sido meditar sobre ti. Tu és o livro, a biblioteca onde procuro, apesar de quase cego. Por ti, o meu molde, eu definharia não podendo viver o nosso dia. Vivemos todo o espaço para nós reservado — prometemos regressar, e dispersar a cobertura de cinza.

O corpo deste mundo — como o teu, a minha pequena palavra. Os nossos corpos aspiram o fogo: e elevamo-nos e vemo-nos com mais nitidez na clama região onde nenhuma noite nos pode esconder um do outro.

Algures II

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Os amantes, em quem a vida e o sol que chegam misturam a respiração, são atraídos pelo mesmo propósito – assim sou eu em ti. Algures por detrás de um deserto rebola o oceano do que somos – onde chegamos.

Algures

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Algures por detrás de uma montanha encontra-se um lago onde sou reflectido como o voo das aves sob luz nocturna. Amantes, lado a lado, encerrados na maré elementar, nutrimos a raiz de toda a terra – assim é a minha mão dentro da tua mão.

Algures por detrás dos navios insulares, nas suas velas tal como nos teus lábios, transportas o início da nossa história.

Um início

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Eu sigo os meus caminhos da cidade e então, talvez, encontre a voz de uma mulher, e os seus lábios; ergo-me e volto o meu rosto para o mar, entre gente estranha e em navios errantes.

É enorme o mundo, que deverá definir os seus limites? Pode ser que eu encontre, que algures no mundo eu encontre, um solo onde os meus pés possam permanecer; e levarei comigo a mulher encontrada, e os anos perante nós.

Maria

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Na tua presença há um prazer, circulas em mim. Quando cai suavemente o luar, um beijo alagado, um chamar ecoado. Sopram os ventos e a manhã aparece entre sorrisos. Murmuram ao mar as mais puras fontes, acenam os bisques das montanhas, tudo és para mim.

E então, enquanto balouças ao compasso cardíaco, não entregues ao destino ou à fortuna o decair do que sentes. Os anos passarão em plena felicidade, serão banidos o inconsequente carinho e a inerte tristeza ao ser amado assim.

Regresso

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Vem a mim no silêncio nocturno; vem no silêncio falado de um sonho; vem de olhos brilhantes como sol em água; regressa em sorrisos, o amor de anos começados. A doce vida, muito doce, muito agri-doce, cujo despertar ocorre for a deste mundo; onde os olhos sedentos espreitam a porta lenta que ao abrir, deixando entrar, não mais deixa sair.

Regressas a mim em vida, para que eu me possa dar pulso a pulso, respirar a respirar.

Into your harms II

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[Masao Yamamoto]

Sonhei-me nos teus braços e que os teus olhos, aventurados nos meus, tinham despertado o meu pulso em feliz alarme, obedecendo ao seu imperioso sinal; a sua vontade urgente, a sua boca eloquente numa morada silenciosa, a pedir o que eu nunca declinaria: esquecemo-nos do mundo, vida e morte.

O teu coração batia no meu peito, quando eu, com os lábios hesitantes, cedendo, acederam ao teu pedido, palavras transcendentes, as nossas duas bocas moldadas num beijo.

O sagrado

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Mas tu és todas as coisas, de outra forma não serias tu. Vem aqui, mais perto; quando estiveres no círculo do meu braço terei ficado completo. Sim, beija-me uma vez mais e deixa-me sentir-te bem perto.

Foram soturnos os anos passados? E aqueles por vir, irão trazer a insuspeita felicidade às nossas vidas? Sim, eu sei-o desde a nossa primeira noite, desde o primeiro acordar ao teu lado. Essa noite musculou-nos o sentir, e acreditámos um no outro, no sagrado humano.

Focagem

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Ah, ainda bem que o sentes assim, por mim em completo, como a necessidade de sol. Pergunto-me se pode ser realmente que tu estejas aqui e não apenas eu acompanhado por um desejo materializado pela força de o ser, que a noite esteja cheia de horas e todo o mundo a dormir, e que ninguém me chame; mas tu entregas-te a mim suavizando-me a vontade.

Estaria igualmente a tua vida à espera deste tempo, não apenas meu, da nitidez em tudo o que se sente?

Dúvida

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Como se o jardim que adoras fosse um incensário a balouçar, o seu incenso a flutuar diante de nós como um acto de reverência. Diz-me mais uma vez o que sentes por mim, o que tu és, sim mesmo tu, eu toco-te, assim; e diz-me que é por tua livre vontade que estás aqui, e que adoras estar aqui mesmo, comigo, sob esta árvore.

Preciso de o ouvir muitas vezes porque duvido naturalmente, é difícil acreditar em tanto amar assim.

Noites elevadas

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Olha, está luminosa a noite. Olha onde se projecta a sombra da árvore bem longe sobre a erva. E cada rajada de vento nocturno vem carregada com o aroma de flores abertas que nunca florescem de dia: aromas nocturnos e aquele pálido disco amarelado em altura, somos companheiros das estrelas.

Chegada

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Os teus olhos abertos para os meus olhos, o desejo, a surpresa. Eu acordei para ver tudo, os sonhos anunciados, o poder ser, a concretização do amar. Os seus olhos diante dos meus olhos, como se algum segredo os tivesse ensinado.

Os seus olhos lançados aos meus olhos com fome e sorrisos, totalmente nosso, o amar havia chegado.

Não por acaso

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E, até então, vivemos como polos distantes sob decretos de aço.

A menos que caia o céu vertiginoso, e lágrimas da terra em convulsão. E o mundo seja prensado em planisfério. Como as linhas, também o sentimento oblíquo, podemos abraçar-ses em todos os ângulos: enquanto outros, em verdade paralelos, podem nunca se encontrar apesar do ocorrer da vida.

Não é acaso o amor que nos une, nem invejoso destino, é a conjunção da mente e a oposição dos astros. É um querer.

Amor posto

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O que eu sinto é de raro nascimento, um sentir elevado; após anos de impossibilidade. Algo sobrehumano, sem o qual jamais a esperança poderia ter voado. E espreita o destino de olhos invejosos os dois amores perfeitos; a nossa união foi a sua ruína, e o seu poder tirânico deposto.

Apenas isto

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E vou dar-te os meus dias, os meus sonhos, os meus livros, o meu caminho, se tu o desejares.

O sentimento em fuga, agora encontrado, tudo o que te dou, tudo de mim. Peço-te apenas o que não posso dar, não te peço mais do que isto: o teu amar.

A constante leveza de ser

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Aqui neste quarto ainda dormes, e eu na penunbra acordado ao teu lado, observo o amanhecer e sinto a manhã como nossa. Dormes como uma criança, mais uma razão para te amar entre outras tantas; amar-te-ia em qualquer parte, chego a ti na condição de quem o sente e afortunado por o sentir.

A tranquilidade nos teus olhos, o teu sorriso de criança, o prazer da surpresa, a tua paciência: a minha constante leveza de ser.

Do que ama

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Não o vento mas o sol suave que restringe o rebento. De todas as palavras de delicada cortesia e profundo respeito com as quais cheguei carregado ao teu lado, apenas direi uma. Aceita-a, a escolhida, a que foi a génese de toda a linguagem desde a primeira hora apaixonada em que um sorriso se tornou a morada do amante (do que ama).

Vida de um dia de verão

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Conta comigo, nas árvores de verão, em cada folha que apaixona o vento; conta comigo, no profundo, em cada onda que se afunda para dormir. Então, quando tiveres contados estas marés e árvores frondosas, conta-me toda a chama provada.

Ninguém senão ela

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Eu amei os nossos dias inteiros. E sou para amar milhares de dias mais, enquanto o tempo estiver do meu lado. Deve o tempo afastar as suas asas e tentar descobrir em todo o mundo quem ame mais assim.

E não poderia ter sido ninguém senão ela, aquele sorriso reencontrado, em duas dezenas de anos procurada.

Os amantes

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Os amantes assombram o céu, dois longos corpos que se agitam bloqueando o sol, tornando-se rapidamente num só.

Uma pausa, agarram-se e seguem juntos a escolha mutua, o sentir preenche o seu despertar.

Amadurece II

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Leva consigo um jardim de botões prestes a despontar; um paraíso aquele lugar de fruta amadurecida; onde crescem cerejas que ninguém pode comprar até que estas amadureçam em sorrisos. Estas cerejas trazem dentro de si pérolas do oriente, e quando ela sorri, brilham de igual; no entanto não se podem comprar até que amadureçam em sorrisos.