Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Algures II
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Os amantes, em quem a vida e o sol que chegam misturam a respiração, são atraídos pelo mesmo propósito – assim sou eu em ti. Algures por detrás de um deserto rebola o oceano do que somos – onde chegamos.
Os que se amam, como sonâmbulos dotados de uma segunda vista, caminham, passam um pelo outro, separam-se e voltam a juntar-se. Não se procuram um ao outro: encontram-se.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
E veio então à mente, como operar a minha própria estação, facetas de degradação, ter a astúcia de aceitar. Vagueava o olhar, movia-se tudo rapidamente. Cercado, coberto pela vontade de sobreviver para escapar ao comum, impedindo o desastre, tentando desenterrar-me. O reservatório da esperança, a metástase do sacrilégio excedente lentamente drenada pelo comum, a conformidade do rebanho.
Comentários
[O. Paz]
Assim mesmo. Eu sou contigo.
Tudo,
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
[A.O'Neill]
As palavras que nos beijam.