Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
São as flores escolha do Inverno?
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São as flores escolha do Inverno?
Ela parecia ouvir a minha voz sussurrada. Nunca tinha visto uma face assim e fiquei quieto a espreitá-la. O meu sentir tinha deixado a sua morada e nunca mais regressaria sozinho.
eu pensei mas conheço-a tão bem vivemos juntos há tanto tempo
conheço a sua cabeça de pássaro os seus braços brancos e o seu ventre
até que um dia num fim de tarde de inverno sentou-se à minha frente a à luz do candeeiro por detrás de nós vi uma orelha rosada
uma cómica pétala de pele uma concha com sangue vivo por dentro
não disse nada então - teria sido bom escrever um poema acerca duma orelha rosada mas não as pessoas diriam que assunto foi ele escolher está a tentar ser excêntrico
pelo que ninguém sorriria pelo que eles compreenderiam que eu proclamo um mistério
não disse nada mas nessa noite quando estávamos juntos na cama delicadamente provei o gosto exótico de uma orelha rosada
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Pisam a floresta escura, cuja primitiva disposição desde sempre projecta a sua sombra; ponderam a corrente e as marés do oceano, observam as variadas formas de vida que os rodeiam: as aves que assombram florestas e planicies, os peixes que nadam, os mares, os rios, as correntes e os ângulos das suas margens; espreitam a vida que decorre o espaço e o seu tempo.
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mas conheço-a tão bem
vivemos juntos há tanto tempo
conheço
a sua cabeça de pássaro
os seus braços brancos
e o seu ventre
até que um dia
num fim de tarde de inverno
sentou-se à minha frente
a à luz do candeeiro
por detrás de nós
vi uma orelha rosada
uma cómica pétala de pele
uma concha com sangue vivo
por dentro
não disse nada então -
teria sido bom escrever
um poema acerca duma orelha rosada
mas não as pessoas diriam
que assunto foi ele escolher
está a tentar ser excêntrico
pelo que ninguém sorriria
pelo que eles compreenderiam que eu proclamo
um mistério
não disse nada
mas nessa noite quando estávamos juntos na cama
delicadamente provei
o gosto exótico
de uma orelha rosada
[Z. Herbert]
Assim..., tudo muito.
Contigo,
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
[Jorge de Sena]
Conheço-me em ti.