Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
A caixa, o seu presente
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Viu-a sobre o abismo da eternidade, sentada sob um enorme carvalho. O seu corpo envolto em chiffon negro, os seus joelhos para cima, o seu corpo embalado sobre a caixa. A caixa… o seu presente.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
E veio então à mente, como operar a minha própria estação, facetas de degradação, ter a astúcia de aceitar. Vagueava o olhar, movia-se tudo rapidamente. Cercado, coberto pela vontade de sobreviver para escapar ao comum, impedindo o desastre, tentando desenterrar-me. O reservatório da esperança, a metástase do sacrilégio excedente lentamente drenada pelo comum, a conformidade do rebanho.
Comentários
o mais próprio. Do sentimento sabido
precipitar-nos para baixo para o pressentido, mais além.
Rainer Maria Rilke
Contigo.
Beijo-te,
a noite sobe
aos ramos mais altos
e canta
o êxtase do dia.
[Eugénio de Andrade]
Contigo.
Beijo-te,