Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
E veio então à mente, como operar a minha própria estação, facetas de degradação, ter a astúcia de aceitar. Vagueava o olhar, movia-se tudo rapidamente. Cercado, coberto pela vontade de sobreviver para escapar ao comum, impedindo o desastre, tentando desenterrar-me. O reservatório da esperança, a metástase do sacrilégio excedente lentamente drenada pelo comum, a conformidade do rebanho.
Comentários
Manuel António Pina
Beijo-te,