Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Da janela
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Foto: Bernardo Martins (Dublin, 2013)
"Obrigado" foi um prazer. "Aceitas?" ele declinou.
Por vezes, noite dentro, amaldiçoava os sentidos e sonhava a maravilha de ser uma moldura de janela.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Os dedos das sombras sabem o caminho. Até os mais vazios, expiram mortos e deixam rastos de vida. A intuição liberta a inibição onde descansam os sonhos, cativando sem tentar. O medo é deixado só, intocável, invisível, não sentido, sem sentido. Um anjo caído, um sonho. Um pulsar que desejas, “fica”.
Comentários
Basta um instante.
Beijo-te,
beijo-te,