O sonho dos insectos

Paul Kohl, 2015
Por detrás das folhas, sob o dourado onde começam a trabalhar insectos, mensageiros do esquecimento, é mais fácil sobreviver às novas obrigações. Há que desconfiar da serenidade com que estas folhas esperam a sua queda inevitável, a sua vocação de pó e nada. Elas podem permanecer ainda uns instantes para testemunhar a sua própria derrota perante o tempo. Há objectos que não viajam nunca. Permanecem imunes ao esquecimento. Ficam presos a uma eternidade feita de instantes paralelos. Esta condição singular coloca-os à margem da vida. Não os visita a dúvida nem o espanto.

O sonho dos insectos é composto por metais desconhecidos que penetram no reino mais obscuro da geologia. Que ninguém erga a mão para alcançar as estrelas que nascem. O sonho dos insectos é composto por metais.

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