Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
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A correr, a correr, não há mais nada a fazer, depressa, depressa, estou tão quente mas não posso parar, mais depressa, estou a fugir do meu passado, fujo, tento deixar os medos para trás, paro e estou só. E agora?
Havia um homem que corria pelo orvalho dentro... De dia. De noite. ... Havia um homem que ia admiravelmente perseguido. Corria. - como no meio do orvalho o amor é total. ... Dentro dele batiam as portas, e ele corria pelas portas dentro, de dia, de noite. ... Como em alegria, batia nos olhos das ervas que fixam estas coisas puras. Renascia.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Os dedos das sombras sabem o caminho. Até os mais vazios, expiram mortos e deixam rastos de vida. A intuição liberta a inibição onde descansam os sonhos, cativando sem tentar. O medo é deixado só, intocável, invisível, não sentido, sem sentido. Um anjo caído, um sonho. Um pulsar que desejas, “fica”.
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De dia. De noite.
...
Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.
Corria.
- como no meio do orvalho o amor é total.
...
Dentro dele batiam as portas, e ele corria
pelas portas dentro, de dia, de noite.
...
Como em alegria, batia nos olhos das ervas
que fixam estas coisas puras.
Renascia.
Herberto Helder
abraço-te,
Abraço-te,
(Jim Morrison)