Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Obter link
Facebook
X
Pinterest
Email
Outras aplicações
Expostos à luz infinita, pastores do vento. Os montes sustentam-lhes a visão, entre um vazio e outro mais brilhante, música e silêncio. Inquietas levantam-se cabeças de ovelha, e depois continuam.
Toquei, então, o corpo da música ouvida com a ponta dos dedos.
Juntos, à sombra... os nossos corpos estendidos.
Por fim, abriste os olhos. Vias-te vista por meus olhos,
Dentro de mim subia uma maré...
No teu olhar me enterrei.
Fluem pelas planícies da noite os nossos corpos: são tempo que finda, presença num abraço dissipada; porém, são infinitos, e, ao tocá-los, banhamo-nos num rio de pulsações, voltamos ao perpétuo recomeço.
Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde.
Se a morte deve terminar em conflito, respondi-lhe eu, essa vida miserável não pode ser vida. Pois quem poderia aguentar a escuridão sem um amanhecer? Essa tua vida é uma morte. Pedes aos santos, cujas faces artificialmente iluminadas te asseguram da sua grace interior; se ao menos eles podessem resolver as tuas questões e satisfazer os teus ansiosos desejos. Um brilho oleoso ilumina a tua fronte, enquanto te ajoelhas dizes: "'Esta vida para me encontrar com o Senhor.” Mas a palavra que ouves foi escrita pelos homens, é a verdade de uma igreja não de uma vida divina ou eterna; é a promessa por cumprir do triunfo da vida sobre a morte, feita a troco de pecados perdoados. Deve haver morte tal como existir o erro (não o pecado alimentado pela santa igreja), viver é a minha religião. Eu sei que esta mortal casa de barro se irá um dia dissolver e acabar por desaparecer. Digo eu, assim vivo, luto pelo que acredito, o que sinto por quem amo é a minha graça terrestre: conquisto assim ...
Aquele que diga a primeira palavra deixará cair o primeiro vaso, aquele que golpeie o seu assombro com violência verá aparecer o fogo nos seus cabelos, aquele que ria em voz alta será o primeiro a guardar silêncio, aquele que desperte antes de tempo surpreenderá o seu corpo entre as árvores; e o mar, como algo interrompido, volta a ouvir-se ao longe e na sua respiração escutamos outra vez o ruído daquela porta que bate empurrada pelo vento.
Comentários
Cabias na cova da minha mão.
Toquei, então, o corpo da música
ouvida com a ponta dos dedos.
Juntos,
à sombra...
os nossos corpos estendidos.
Por fim, abriste os olhos.
Vias-te vista por meus olhos,
Dentro de mim subia uma maré...
No teu olhar me enterrei.
Fluem pelas planícies da noite
os nossos corpos: são tempo que finda,
presença num abraço dissipada;
porém, são infinitos, e, ao tocá-los,
banhamo-nos num rio de pulsações,
voltamos ao perpétuo recomeço.
O.Paz in, Regresso
Tudo,
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.
[Adélia Prado]
Tudo,