Naufrago



Sempre adorei esta colina, e o que a vista me impede de ver, além do seu horizonte. Olhando espaços intermináveis de ali ao distante, silêncios e uma profunda quietude, eu estou com os meus pensamentos. Escuto sussurros de vento, meço a minha voz no silêncio: sob o eterno, as estações mortas, o presente real e o som de todos eles. Assim, através desta imensidão, afoga-se o meu pensamento: e o naufragar-me é doce no teu lago.

Comentários

Maria disse…
És tu o horizonte
tão próximo, tão denso
que o teu fogo devora
o peso e a cegueira
de minhas mãos, que ascendem
ao céu de que és o cúmulo:
pernas, peito, cabelos,
o hálito comum.
Por esta claridade
caminho para as dádivas:
odor, ardência, êxtase,
beijos, risos, palavras.

Transbordante é o dia:
tudo és porque te vejo!
Nada existe que não
viva sob os meus dedos

construir terra entre os dentes,
criar asas e garras.

pra dois corpos que voam,

sendo um do outro a proa.

- confluímos, submersos,
na ígnea praia súbita,
que se afoga em espuma,
raízes,
pólen,
música.

[J.Bento]

Sim, gosto...
Submersa, contigo.
Tudo,
Damien disse…
Teu fruto único é o horizonte, a suavidade
de tua falta, o conforto de tua falta.

[A. Villaça]

Submerso, em ti.
Tudo,

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