Silêncio



Olhando a cidade, escuto o ruído com toda a atenção, cada lamento cada grito cada rumor, olho para além das luzes, paro onde tremem as sombras, desprende-se um hálito do céu, inclino-me sobre o abismo, procuro entre os arbustos com calma, olhos nos olhos com o crepúsculo, com o sopro do vento, música, o prazer o pensar o sentir, estás aqui, encontro-te em mim ao fechar os olhos, na quietude no rio no voo, escrevo-te para onde estás, onde me encontro eu mesmo.

Comentários

Maria disse…
Como o silêncio
se engrandece, ou se transforma com as coisas. Escrevo...

Uma canção de agora dirá que as noites
esmagam
o coração. Dirá que o amor aproxima
a eternidade, ou que o gosto
revela os ritmos...

Porque é com nomes que alguém sabe
onde estar num corpo
por uma ideia, onde um pensamento
faz a vez da língua.

[H.H.]

e nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Tudo,
Damien disse…
O sol ensina o único caminho
a voz da memória irrompe lodosa
ainda não partimos e já tudo esquecemos
caminhamos envoltos num alvéolo de ouro fosforescente
os corpos diluem-se na delicada pele das pedras

falamos rios deste regresso e pelas margens ressoam
passos
os poços onde nos debruçamos aproximam-se
perigosamente
da ausência e da sede procuramos os rostos na água
conseguimos não esquecer a fome que nos isolou
de oásis em oásis

hoje
é o sangue branco das cobras que perpetua o lugar
o peso de súbitas cassiopeias nos olhos
quando o veludo da noite vem roer a pouco e pouco
a planície

caminhamos ainda
sabemos que deixou de haver tempo para nos olharmos
a fuga só é possível dentro dos fragmentados corpos
e um dia......quem sabe?
chegaremos

[Al Berto]

Chegarei.

Tudo,

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