Os gatos



Dois gatos, de corpo elástico, de olhos cor de mel e pelo sedoso. Levantam a cabeça para se orientar, e logo o avanço sonolento. Pararam silenciosos ao pé das cisternas, vagueiam, estendem-se, enlaçam-se, e encerram-se os olhos de um dia moribundo. Começa agora o desfile nocturno de desafio à melancolia.

Comentários

Maria disse…
Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois Nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória...

[J.J.Letria]

Enlaçados...
Tudo,
Damien disse…
Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama,
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!

[Juan Ramón Jiménez ]

Inflama-me, o meu coração é igual a ti.

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