De ti



Num país tranquilo recebemos a paixão do mundo. Desconheciamos o dia quando o fogo nos foi assim entregue, e a sua luz rasgou a sombra.
Inventa-se o universo. Olharam-se, tocaram-se com mãos precisas, alcança-nos o aroma. Estações, rio, folhas, flores, madeira molhada, ervas azuis, todo o meu haver sangra o teu perfume.

Comentários

Maria disse…
Ninho de palavras escuras, rumor de folhas e de mãos, insectos de delicada chama, diminutos fulgores silenciosos. Entre confusas claridades verdes, na plena humidade, o fogo abre a flor do corpo, intacta e branca. Os astros acendem-se como animais que sabem a direcção do vento. Esta é a morada ardente e sossegada, o obscuro jardim do corpo e das palavras lisas. Uma alegria de formas, de sons, de cores. A navegação luminosa pela árvore do corpo, pela sua água, pelo seu horizonte de lábios.

O corpo abriu-se... e estremece...

[A.Ramos Rosa]

Contigo.
Tudo, mais ainda.
Damien disse…
No fundo
dos olhos,
desses olhos que me espelham
na voz que sussurra
e incandesce meu peito
no riso diamantino puro
que me devolve à inteireza
no indecifrável sentir
que vem de a saber em mim
vive a Luz
onde me aninho e renasço
a Luz que meus dias atravessa
e arde na minha vida
com o brilho que incendeia
o coração de uma estrela....
Meu ser inteiro
agora vive
para amanhecer com ela.

[Angela Santos]

E tudo, ainda mais.

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