Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
De chuva
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Chove... espera, não durmas. Fica atento ao que diz o vento, e ao que diz a água que golpeia os vidros. Espera, não adormeças. Escuta o ritmo da chuva. Apoia entre os meus seios a tua cabeça.
... Deitados nus, na cama, lado a lado, ela, com a cabeça pousada no meu peito,... com os dedos no cabelo dela, lhe afogava as palavras contra a minha pele, em beijos que subiam até à boca...
Se a morte deve terminar em conflito, respondi-lhe eu, essa vida miserável não pode ser vida. Pois quem poderia aguentar a escuridão sem um amanhecer? Essa tua vida é uma morte. Pedes aos santos, cujas faces artificialmente iluminadas te asseguram da sua grace interior; se ao menos eles podessem resolver as tuas questões e satisfazer os teus ansiosos desejos. Um brilho oleoso ilumina a tua fronte, enquanto te ajoelhas dizes: "'Esta vida para me encontrar com o Senhor.” Mas a palavra que ouves foi escrita pelos homens, é a verdade de uma igreja não de uma vida divina ou eterna; é a promessa por cumprir do triunfo da vida sobre a morte, feita a troco de pecados perdoados. Deve haver morte tal como existir o erro (não o pecado alimentado pela santa igreja), viver é a minha religião. Eu sei que esta mortal casa de barro se irá um dia dissolver e acabar por desaparecer. Digo eu, assim vivo, luto pelo que acredito, o que sinto por quem amo é a minha graça terrestre: conquisto assim ...
Henri Cartier-Bresson Senti que tinha invadido a privacidade do casal, um voyeur de um evento ocorrido há quarenta anos atrás. Despertou-me a curiousidade, continuei a ler. "Senti tanto a tua falta depois do nosso ultimo encontro – é sempre tudo breve demais quando estou contigo. Ensinaste-me o meu corpo, permitiste desencadear a paixão, acendes-me para lá da fértil imaginaçâo."
Comentários
Deitados nus, na cama, lado a lado, ela, com a cabeça pousada no meu peito,... com os dedos no cabelo dela, lhe afogava as palavras contra a minha pele, em beijos que subiam até à boca...
[Jorge de Sena]
No vento ou numa gota de chuva...
Tudo,
Como se tivessem boca..." [Alexandre O'Neill]
Obrigado...
Tudo,