De onde vens



Alimentar-se na montanha e renascer. Não gritar, cantar por um momento antes de entrar na imensidão, no ritmo compassado. Acalmar-se junto a árvores mudas, baixar-se sobre a terra firme, e deixá-la, tendo-a apenas tocado, o sussurro do último momento, quando o sol seja um igual. Entrega-se a um novo início, aumentando a sua própria dimensão. Apenas aprendeu a viver vivendo, para alcançar consciência de si mesmo, em instantes anteriores ao desprender-se da sua origem, da história que recorda, tranquilo, perante o mar que não o espera, que murmura e o envolve. Águas, simples águas, turvas e limpas, traslúcidas, sol e vento, pedras mansas no fundo como rebanhos, criação, rios férteis, árvores, pássaros e tempestades, força, fúria e contemplação. Sai da tua cidade. Vem ao país do mar. E dirige-nos todo um sentir.

Comentários

Maria disse…
'Há homens com quem se pode aprender a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabíamos. Reconhecêmo-los pelo olhar. Quando se aproximam, a noite reflecte-se clara nos seus rostos. Têm gestos lentos, precisos, como os dos deuses marinhos que habitaram, além, no mar rente à ilha.

Uma noite, (re)conheci um desses homens e toquei-lhe.

Se me deres a tua mão, queimar-te-ei os dedos...'

[Al Berto]

Contigo.
Tudo,
Damien disse…
Respira profundo, estende a tua mão ao inalcançável; fecha os olhos, abre os ouvidos, aprende a festejar o silêncio e vive.

Todos o dias, contigo.
Tudo,

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