Encontro



De onde vens? O sonho esconde-se na praça em frente. O quarto vai-se inundando de mar, de barcos e peixes, aquário improvisado sobre o verniz do soalho. Na cama flutuante dois corpos nus; músculos nos meus músculos, braços delgados e ardentes, iluminados de febre, precipitam-se sem pulso.

O silêncio apunhalado volta a sombrear as paredes; um sonho de relógios ausentes sobre a cama cansada. De onde vens? São as coisas da sorte, uns encontram-na de costas, outros de frente, e eu encontrei-me nos teus olhos.

Comentários

Maria disse…
Stop this day and night with me and you shall possess the origin of all poems...

[W.Whitman]

Amo-te.
Damien disse…
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

[C.D.Andrade]

Amo-te.

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