Não sei como dizer-te que minha voz te procura e a atenção começa a florir, quando sucede a noite esplêndida e vasta. Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos se enchem de um brilho precioso e estremeces como um pensamento chegado.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Pudesse eu dormir, como dorme uma criança; sorrir ao sonho, e sonhar contigo e sentir o sonho, e fundir-me, pouco a pouco, num outro maior. E passar pela vida de olhos bem abertos sobre um mundo interior, atento apenas ao ritmo do meu próprio coração... E passar pela vida, ser quem se evapora ao sol e perder-me uma noite, como morre uma estrela que ardeu milhares de anos sem ninguém a ter visto.
Comentários
da boca do meu coração,
dentro da harpa dos meus pulsos,
nas minhas orelhas e pescoço.
Diz o meu nome. Di-lo.
Do modo que é suposto dizê-lo.
[S.Cisneros]
Tudo e tudo mais.
Contigo,
[H.Helder]
Tudo e ainda mais.
Contigo