Silêncio #2



A noite azul fala comigo, serena-me. Na varanda aberta ronda o ar, desliza pela escuridão. É um prodígio de constelações este céu. A brisa chega fresca e perfumada, não sei o que se passa, a noite contém todas as lágrimas e todos os sorrisos, sinto o peito inchado e uma enorme tranquilidade sobre mim. Abrem-se todas as minhas esperanças.

Comentários

Maria disse…
Belo é o homem e resplandece no escuro,
Quando, posto em espanto, move braços e pernas,
E em órbitas de púrpura os olhos rolam em silêncio.

[G.Trakl]

e 'as tuas mãos dilaceram-me o peito ofegante'. Gosto...
Tudo,
Damien disse…
A palavra é uma estátua submersa,um leopardo
que estremece em escuros bosques,uma anémona
sobre uma cabeleira.Por vezes é uma estrela
que projecta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua,mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada.Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os subtis tornozelos,os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.

[A.R.Rosa]

Muito...
Tudo,

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