Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Eu, quem te quer
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Eu esperava suspenso o abraço; um abraço de quatro braços vestido de febre, um voo. E podem ser os braços quatro raízes de dois novos seres. E esperava suspenso o abraço…
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
E veio então à mente, como operar a minha própria estação, facetas de degradação, ter a astúcia de aceitar. Vagueava o olhar, movia-se tudo rapidamente. Cercado, coberto pela vontade de sobreviver para escapar ao comum, impedindo o desastre, tentando desenterrar-me. O reservatório da esperança, a metástase do sacrilégio excedente lentamente drenada pelo comum, a conformidade do rebanho.
Comentários
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore.
A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
E eu escrevo-te
toda
[Herberto Helder]
E abraças-me com força, e adormecemos assim...
E abraço-te com força, e adormecemos assim...