Sempre



Apareces. A vida é certa, o cheiro da chuva é certo; a chuva desperta-te. A cidade, o mar e a noite abrem-se ao teu passar.

Com animais nocturnos nos olhos, com a noite que regas aos poucos, com o silêncio e o oscilar de luzes e a sombra mais escura e as tuas palavras. Chegas e és onde flutuo. Chegas e rodeias-me de sombra e tornas-me luminoso e inundas-me. Enlaço-me no teu corpo pendente até aos teus pés, na noite terrestre que te segue. Enlaço-me a um sentir que nasce sem cessar e nos envolve, a esta luminosa ligação da minha vida: a tua existência.

Comentários

Maria disse…
dormitas-me
no sangue, penetro nos teus olhos e
caio morto sobre o leito de fogo, sonhando
deixo-me repousar em teu peito, dormes
nas pestanas. chamo-te enlouquecido.
estendo-me em teu peito...

[Abd Al-Wahhab Al-Bayati]

E amo-te.
Tudo,
Damien disse…
caminha pelo sangue,na pele
rugosa do amanhecer,
a tão pequena tosse do outro
lado das palavras:como se
se dividissem os sentidos,
a visão,o tacto animal,
o veneno riscado,arrancado
às paredes da luz,
e sobre o flanco abrisse
uma doença uma razão
meticulosa de existir,
um secreta ausência perdoada.

[A.F. Alexandre]

Sim, és a minha meticulosa razão de existir.

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