Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
O saber
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O sabor de ser amado, apesar do suspirar na ausência acordado, apesar do por vezes entristecer, pelo sentir. A música feita nossa, banda sonora em tempo real cantada em ambos os lábios, em olhares que se trocam e espreitam e amam e vivem.
Como a luz entre os dedos deslizam Como tu própria entre as minhas mãos Como tuas mãos entre as minhas se entrelaçam Um dia que começa em minhas palavras Luz que amadurece até se tornar corpo Até ser sombra de teu corpo luz de tua sombra Rede de calor pele de tua luz Um dia que começa em tua boca O dia que se perde em nossos olhos O dia que se abre em nossa noite
Os dedos da música As garras da música A hera de fogo da música Cobre os corpos cobre as almas Corpos tatuados por ardentes sons
Chegou a música e arrancou-nos os olhos (Não vimos senão o relâmpago...)
Chegou a música e arrancou-nos a língua A hiante boca da música devorou os corpos
Se a morte deve terminar em conflito, respondi-lhe eu, essa vida miserável não pode ser vida. Pois quem poderia aguentar a escuridão sem um amanhecer? Essa tua vida é uma morte. Pedes aos santos, cujas faces artificialmente iluminadas te asseguram da sua grace interior; se ao menos eles podessem resolver as tuas questões e satisfazer os teus ansiosos desejos. Um brilho oleoso ilumina a tua fronte, enquanto te ajoelhas dizes: "'Esta vida para me encontrar com o Senhor.” Mas a palavra que ouves foi escrita pelos homens, é a verdade de uma igreja não de uma vida divina ou eterna; é a promessa por cumprir do triunfo da vida sobre a morte, feita a troco de pecados perdoados. Deve haver morte tal como existir o erro (não o pecado alimentado pela santa igreja), viver é a minha religião. Eu sei que esta mortal casa de barro se irá um dia dissolver e acabar por desaparecer. Digo eu, assim vivo, luto pelo que acredito, o que sinto por quem amo é a minha graça terrestre: conquisto assim ...
Aquele que diga a primeira palavra deixará cair o primeiro vaso, aquele que golpeie o seu assombro com violência verá aparecer o fogo nos seus cabelos, aquele que ria em voz alta será o primeiro a guardar silêncio, aquele que desperte antes de tempo surpreenderá o seu corpo entre as árvores; e o mar, como algo interrompido, volta a ouvir-se ao longe e na sua respiração escutamos outra vez o ruído daquela porta que bate empurrada pelo vento.
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Como tu própria entre as minhas mãos
Como tuas mãos entre as minhas se entrelaçam
Um dia que começa em minhas palavras
Luz que amadurece até se tornar corpo
Até ser sombra de teu corpo luz de tua sombra
Rede de calor pele de tua luz
Um dia que começa em tua boca
O dia que se perde em nossos olhos
O dia que se abre em nossa noite
Os dedos da música
As garras da música
A hera de fogo da música
Cobre os corpos cobre as almas
Corpos tatuados por ardentes sons
Chegou a música e arrancou-nos os olhos
(Não vimos senão o relâmpago...)
Chegou a música e arrancou-nos a língua
A hiante boca da música devorou os corpos
Incendiou-se o mundo
[O. Paz]
Contigo.
Assim, tudo.
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
[J. Régio]
Toda a Vida, contigo.