Sol



Carne viva, vermelho sangue. O teu fixar não-me-esqueças, olhos enlaçados que atravessam uma sala lotada, flutuando entre fumo pegajoso. Fugaz momento de seres reflectidos, embalsamados na escuridão encontram-se as bocas, os lábios vagueam sobrancelhas, o seu queixo, o canto da boca. Silenciados pela narcoléptica canção, as palavras derrentem-se em suor; redundantes, os beijos falam a sua língua.

Comentários

Maria disse…
"Fazia tremer o mundo.
E queimavas-me a boca, pura
colher de ouro tragada
viva. Brilhava-te a língua.
Eu brilhava."

[Herbero Helder]

Assim, contigo.
Tudo,
Damien disse…
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

[Eugénio de Andrade]

Assim, entre nós.
Tudo,

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